Fases do Capitalismo: resumo completo, capitalismo financeiro e exercícios
Do mercantilismo ao capitalismo informacional — entenda cada fase, o imperialismo, o fordismo, o toyotismo e a Divisão Internacional do Trabalho, com simulado de 15 questões e gabarito comentado.
O que são as fases do capitalismo? O capitalismo é o sistema econômico baseado na propriedade privada dos meios de produção, no trabalho assalariado e na busca do lucro. Ele não surgiu pronto: transformou-se ao longo dos séculos, passando por fases que reorganizaram o trabalho, a técnica e a produção do espaço geográfico. As principais fases são o capitalismo comercial (mercantil), o capitalismo industrial, o capitalismo financeiro (ou monopolista) e o capitalismo informacional. A passagem de uma fase a outra acompanha as revoluções industriais e as mudanças na Divisão Internacional do Trabalho. O capitalismo financeiro caracteriza-se pela concentração de capital, pela fusão entre bancos e indústria e pela formação de monopólios — e está historicamente ligado ao imperialismo do fim do século XIX. Por reunir economia, técnica, trabalho e globalização, o tema é um dos mais cobrados na Geografia do ENEM.
O que são as fases do capitalismo?
Dividir o capitalismo em fases é um recurso didático para compreender como o sistema mudou ao longo do tempo. Não são etapas isoladas: cada fase incorpora e transforma a anterior. Diferentes autores adotam classificações e datas ligeiramente distintas, mas a periodização mais usada no Ensino Médio é a que aparece na tabela abaixo.
| Fase | Período aproximado | Características | Palavras-chave |
|---|---|---|---|
| Comercial (mercantil) | séculos XV–XVIII | comércio, mercantilismo, expansão marítima, acumulação primitiva | Grandes Navegações, colonialismo, metalismo |
| Industrial | a partir do século XVIII | fábricas, máquinas, trabalho assalariado, urbanização | Revolução Industrial, liberalismo |
| Financeiro (monopolista) | fim do século XIX | concentração de capital, bancos + indústria, monopólios | imperialismo, cartéis, trustes, transnacionais |
| Informacional | a partir de 1970 | informação, tecnologia, redes globais | globalização, toyotismo, nova DIT |
Atenção: essa divisão é uma referência de estudo. O importante é entender o que muda de uma fase para outra — sobretudo na organização do trabalho e na relação entre países.
Capitalismo comercial ou mercantil
O capitalismo comercial desenvolveu-se entre os séculos XV e XVIII, no contexto das Grandes Navegações e da expansão marítima europeia. A riqueza vinha sobretudo do comércio — em especial do comércio colonial — e não ainda da produção industrial.
- Mercantilismo: conjunto de práticas em que o Estado intervinha na economia para acumular riqueza.
- Metalismo: medir a riqueza de um país pela quantidade de metais preciosos (ouro e prata) acumulados.
- Balança comercial favorável: exportar mais do que importar para acumular metais.
- Colonialismo e pacto colonial: exploração de territórios que forneciam matérias-primas e consumiam produtos da metrópole.
- Acumulação primitiva de capital: os lucros do comércio colonial ajudaram a financiar, mais tarde, a Revolução Industrial.
Assim, o capitalismo comercial ligou expansão territorial e formação do mercado mundial, preparando o terreno para a fase seguinte.
Capitalismo industrial
Com a Revolução Industrial (a partir do século XVIII, na Inglaterra), o centro da acumulação desloca-se do comércio para a produção fabril. Máquinas, carvão e a máquina a vapor multiplicam a escala de produção e transformam profundamente o espaço geográfico.
- Substituição do artesanato pela fábrica e pela produção em série.
- Difusão do trabalho assalariado e formação da classe operária.
- Urbanização acelerada, com o crescimento das cidades industriais.
- Liberalismo econômico: defesa do livre mercado e da pouca intervenção do Estado.
Veja também o simulado de Industrialização do Brasil e do mundo, com revoluções industriais, fordismo e toyotismo.
Capitalismo financeiro: o que é?
O capitalismo financeiro ou monopolista corresponde à fase de forte concentração e centralização de capitais, a partir do fim do século XIX, quando bancos e grandes empresas industriais se aproximam. Surge o capital financeiro — a fusão entre o capital bancário e o capital industrial —, base para a formação de grandes grupos e monopólios, no contexto da Segunda Revolução Industrial.
Elementos centrais: concentração e centralização de capitais, crescimento dos bancos, fusões, monopólios, oligopólios, cartéis, trustes, holdings, sociedades anônimas e o avanço das empresas transnacionais.
Monopólio × oligopólio × cartel × truste × holding
| Conceito | O que é |
|---|---|
| Monopólio | Uma única empresa controla a oferta de um produto ou setor. |
| Oligopólio | Poucas empresas dominam o mercado de um produto. |
| Cartel | Empresas independentes combinam preços, cotas ou repartição do mercado (acordo, não fusão). |
| Truste | Fusão/absorção de empresas de um mesmo setor sob um só comando, formando uma grande companhia. |
| Holding | Empresa que controla outras ao deter a maioria de suas ações. |
O que o imperialismo tem a ver com o capitalismo financeiro?
A expansão imperialista do fim do século XIX (a partilha da África e da Ásia) está ligada às transformações do capitalismo naquele período. Com a concentração de capitais, as grandes empresas e bancos passaram a buscar novos mercados, matérias-primas e áreas de investimento fora da Europa. A sequência costuma ser apresentada assim:
Segunda Revolução Industrial → concentração de capital → grandes empresas e bancos → busca de mercados e matérias-primas → expansão imperialista → novas relações de dependência econômica.
Capitalismo informacional
A partir dos anos 1970, com a Terceira Revolução Industrial (Revolução Técnico-Científico-Informacional), o capitalismo entra na fase informacional. A informação, a ciência e a tecnologia tornam-se as principais forças produtivas, e o mundo se integra em redes globais.
- Informática, telecomunicações, internet e automação.
- Globalização e expansão das empresas transnacionais.
- Financeirização da economia e circulação instantânea de capitais.
- Flexibilização produtiva (toyotismo) e cadeias globais de produção.
- Consolidação da nova Divisão Internacional do Trabalho.
Aprofunde seus estudos sobre globalização e o meio técnico-científico-informacional.
Fordismo × Toyotismo
| Fordismo | Toyotismo |
|---|---|
| Produção em massa e padronizada | Produção flexível, adequada à demanda |
| Grandes estoques | Just in time (estoques mínimos) |
| Linha de montagem rígida | Produção enxuta e flexível |
| Trabalhador especializado em uma tarefa | Trabalhador polivalente |
| Associado à produção em massa (2ª Rev. Industrial) | Associado à reestruturação produtiva (a partir de 1970) |
⚠ Pegadinha do ENEM
Toyotismo não é simplesmente “produção pequena”. O elemento central é a flexibilização da produção e a adequação à demanda, com redução de estoques e uso do just in time.
Capitalismo e Divisão Internacional do Trabalho (DIT)
A Divisão Internacional do Trabalho é a forma como as tarefas produtivas se distribuem entre os países. Ela acompanha as fases do capitalismo e é um dos temas mais cobrados no ENEM.
- DIT clássica: países periféricos exportavam matérias-primas e produtos agrícolas (commodities); países centrais exportavam manufaturados.
- Nova DIT: etapas industriais de baixo valor agregado migram para a periferia, enquanto pesquisa, tecnologia, marcas e gestão permanecem concentradas nos países centrais.
- Cadeias globais de produção: um mesmo produto é projetado, financiado e montado em vários países (dispersão produtiva + concentração do comando).
Para treinar mais esse tema, veja as questões de Geografia Humana do PlanetaGeo.
Resumo das fases do capitalismo
| Fase | Em uma frase |
|---|---|
| Comercial | Grandes Navegações + mercantilismo + colonialismo. |
| Industrial | Revolução Industrial + fábricas + trabalho assalariado. |
| Financeiro/monopolista | Bancos + grandes empresas + monopólios + imperialismo. |
| Informacional | Tecnologia + informação + redes globais + globalização. |
Dicas para acertar questões sobre capitalismo no ENEM
- Banco + indústria + concentração de capital → capitalismo financeiro.
- Cartel → empresas independentes combinando preços/oferta.
- Truste → concentração de empresas sob um mesmo comando.
- Produção em massa + linha de montagem → fordismo.
- Just in time + estoque mínimo → toyotismo.
- Redes digitais + globalização → capitalismo informacional.
- Imperialismo do século XIX → ligado à expansão do capitalismo monopolista.
- Matéria-prima + mercado consumidor → expansão imperialista.
- Cadeia produtiva espalhada pelo mundo → nova DIT.
- Tecnologia nem sempre melhora as condições de trabalho (precarização).
10 pegadinhas sobre as fases do capitalismo
- Confundir capitalismo comercial com industrial.
- Achar que capitalismo financeiro é só “existir banco”.
- Confundir cartel com monopólio (cartel é acordo entre independentes).
- Confundir fordismo com toyotismo.
- Achar que a globalização eliminou a desigualdade entre países.
- Confundir nova DIT com “ausência de indústria” na periferia.
- Reduzir o imperialismo a causas apenas políticas.
- Achar que toda transnacional produz tudo no país de origem.
- Confundir capital financeiro com dinheiro físico.
- Achar que tecnologia elimina automaticamente a exploração do trabalho.
Simulado: exercícios sobre as fases do capitalismo
Agora que você revisou as fases do capitalismo, teste seus conhecimentos com 15 questões oficiais do ENEM e de vestibulares sobre DIT, fordismo, toyotismo e globalização. Clique na alternativa que julgar correta — suas respostas ficam salvas neste navegador. Ao final, libere o gabarito comentado e confira a sua nota.
TEXTO I — Em 2016, foram gerados 44,7 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, um aumento de 8% na comparação com 2014. (nacoesunidas.org, adaptado.)
TEXTO II — Há ainda quem exporte deliberadamente lixo eletrônico para o Gana. É mais caro reciclar devidamente os resíduos no mundo industrializado. Um negócio muito mais lucrativo é vendê-lo a negociantes locais, que o desmantelam e extraem os fios de cobre, derretidos ao ar livre, poluindo o ar e intoxicando os próprios jovens. (dw.com, adaptado.)
No contexto das discussões ambientais, as práticas descritas refletem um padrão de relações derivado do(a):
O uso de novas tecnologias pressupõe uma nova orientação no controle do capital e na qualificação da mão de obra. Dos efeitos dessa orientação, a terceirização, a precarização e a flexibilização aparecem como características do paradigma flexível, em substituição ao modelo taylorista-fordista. (HERÉDIA, V. Scripta Nova, 2004, adaptado.)
O uso de novas tecnologias relacionado a controle empresarial é criticado no texto em razão da:
Constatou-se uma ínfima inserção da indústria brasileira nas novas tecnologias da microeletrônica. Os motores do crescimento nacional, há décadas, são os grupos ligados a commodities agroindustriais e à indústria do antigo padrão fordista, limitada na potencialidade de inovação. (AREND, M. www.ipea.gov.br, adaptado.)
Um efeito desse cenário para a sociedade brasileira tem sido o(a):
As grandes empresas seriam representação de um exercício de poder. Salienta-se a ideia de enclave: plantas industriais que estabelecem relações escassas com o entorno, mas exercem grande influência na economia extralocal. (DAVIDOVICH, F. GeoUERJ, 2010.)
Que tipo de ação tomada por empresas reflete a forma de territorialização apresentada no texto?
A Divisão Internacional do Trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros, em perder. Nossa comarca no mundo, que hoje chamamos América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se aventuraram pelos mares. (GALEANO, E. As veias abertas da América Latina, 1978.)
O texto considera a participação da América Latina na DIT marcada pela:
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Conhecer a apostila →O toyotismo, a partir dos anos 1970, teve grande impacto no mundo ocidental, quando se mostrou para os países avançados como uma opção possível para a superação de uma crise de acumulação. (ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho, 2009, adaptado.)
A característica organizacional do modelo, requerida no contexto de crise, foi o(a):
O desenvolvimento pode ser visto como um processo de expansão das liberdades reais que as pessoas desfrutam. O crescimento do PNB pode ser importante como meio de expandir liberdades, mas estas dependem também de serviços de educação e saúde e dos direitos civis. (SEN, A. Desenvolvimento como liberdade, 2010.)
A concepção de desenvolvimento proposta fundamenta-se no vínculo entre:
O New Deal visa restabelecer o equilíbrio entre custo de produção e preço e reativar o mercado interno pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários e do poder aquisitivo das massas e pela regulamentação das condições de emprego. (CROUZET, M. História geral das civilizações, adaptado.)
Tendo como referência o entreguerras, as medidas descritas objetivavam:
A instalação de uma refinaria obedece a fatores técnicos. Um dos mais importantes é a localização, que deve ser próxima tanto dos centros de consumo como das áreas de produção. A Petrobras possui refinarias estrategicamente distribuídas pelo país. (MURTA, A. L. S. Energia, 2011.)
O fator determinante para a instalação das refinarias é a proximidade a:
A reestruturação global da indústria, condicionada pela gestão global da cadeia de valor dos grandes grupos transnacionais, promoveu um forte deslocamento do processo produtivo e redirecionou os fluxos de produção e investimento. (SARTI, F.; HIRATUKA, C. Unicamp, 2010.)
A dinâmica descrita expõe a complementaridade entre dispersão espacial e:
Prepare-se com quem entende do assunto
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Quero a apostila →No sistema capitalista, as manifestações de crise criam condições que forçam a algum tipo de racionalização. Essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva e renovar as condições de acumulação. (HARVEY, D. A produção capitalista do espaço, 2005, adaptado.)
A condição para a inclusão dos trabalhadores no novo processo produtivo é a:
O mundo entrou na era do globalismo. Todos estão sendo desafiados pelos dilemas e horizontes que se abrem com a formação da sociedade global — um processo de amplas proporções envolvendo nações, economias, culturas e civilizações. (IANNI, O. A era do globalismo, 1997.)
A expansão do sistema capitalista de produção nesse momento está fundamentada na:
Um carro esportivo é financiado pelo Japão, projetado na Itália e montado em Indiana, México e França, usando componentes inventados em Nova Jérsei e fabricados na Coreia. A campanha é desenvolvida na Inglaterra e filmada no Canadá. Teias globais disfarçam-se com o uniforme nacional que lhes for conveniente. (REICH, R. O trabalho das nações, 1994, adaptado.)
A viabilidade do processo de produção ilustrado pressupõe o uso de:
Quanto mais complicada se tornou a produção industrial, mais numerosos passaram a ser os elementos que exigiam garantia de fornecimento: o trabalho, a terra e o dinheiro. Numa sociedade comercial, esse fornecimento só poderia ser organizado tornando-os disponíveis à compra, organizados para a venda no mercado. (POLANYI, K., adaptado.)
A consequência do processo de transformação socioeconômica abordado é a:
O CADE condenou as empresas Roche, Basf e Aventis. Segundo o órgão, elas teriam restringido a oferta e elevado os preços das vitaminas A, B2, B5, C e E no Brasil, na segunda metade dos anos 1990. Já haviam sido condenadas por práticas semelhantes na Europa e nos EUA. (Adaptado de Valor Econômico, 2007.)
Desde o fim do século XIX, tornou-se marcante a formação de grandes empresas capazes de controlar a maior parte de um mercado. A notícia expressa a prática associada à característica do atual momento econômico:
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O que são as fases do capitalismo?
São as etapas históricas de transformação do capitalismo: comercial (mercantil), industrial, financeiro (monopolista) e informacional. A divisão é didática e ajuda a entender como mudaram o trabalho, a técnica e a organização do espaço.
Quais são as principais fases do capitalismo?
Comercial (séculos XV–XVIII), industrial (a partir do século XVIII), financeiro/monopolista (fim do século XIX) e informacional (a partir de 1970).
O que caracteriza o capitalismo financeiro?
A forte concentração e centralização de capitais, a fusão entre bancos e indústria (capital financeiro), a formação de monopólios, cartéis e trustes e a expansão das empresas transnacionais, no contexto da Segunda Revolução Industrial.
Qual a relação entre imperialismo e capitalismo financeiro?
A concentração de capitais no fim do século XIX levou grandes empresas e bancos a buscar mercados, matérias-primas e áreas de investimento, alimentando a expansão imperialista. Há diferentes interpretações históricas, mas é comum relacionar o imperialismo do período à expansão do capitalismo monopolista.
O que são monopólios, cartéis e trustes?
Monopólio é o controle de um mercado por uma única empresa. Cartel é o acordo entre empresas independentes para combinar preços e repartir o mercado. Truste é a fusão de empresas de um setor sob um só comando.
Qual a diferença entre fordismo e toyotismo?
O fordismo baseia-se na produção em massa, padronizada, com grandes estoques e trabalho fragmentado. O toyotismo produz sob demanda (just in time), com estoques mínimos, trabalhador polivalente e controle de qualidade — é a produção flexível.
O que é a Divisão Internacional do Trabalho (DIT)?
É a distribuição das tarefas produtivas entre os países. Na DIT clássica, a periferia exportava matérias-primas e o centro, manufaturados. Na nova DIT, etapas industriais de baixo valor migram para a periferia, mas tecnologia, pesquisa e gestão seguem concentradas nos países centrais.
Como as fases do capitalismo caem no ENEM?
Aparecem sobretudo em textos sobre DIT, fordismo, toyotismo, globalização e imperialismo. As questões costumam pedir a leitura crítica de um texto de autor (Milton Santos, Harvey, Ianni, Galeano) e a associação com um conceito. Todas as 15 questões deste simulado são de provas oficiais.
Referências e fontes confiáveis
Este conteúdo foi elaborado com base em fontes acadêmicas e institucionais reconhecidas. Para aprofundar o estudo:
- SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record. (meio técnico-científico-informacional e globalização.)
- HARVEY, David. Condição pós-moderna e A produção capitalista do espaço. São Paulo: Loyola/Annablume. (acumulação flexível; base da questão 11.)
- ANTUNES, Ricardo. Os sentidos do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2009. (fordismo e toyotismo; base da questão 6.)
- IANNI, Octávio. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997. (base da questão 12.)
- GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1978. (DIT e dependência; base da questão 5.)
- IPEA — Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada: estudos sobre industrialização brasileira e a nova DIT (fonte citada na questão 3 do ENEM 2021).
- IBGE: dados oficiais de produção industrial e economia brasileira.
- UNCTAD: relatórios sobre comércio internacional e cadeias globais de valor.
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Ensino Médio. Brasília: MEC, 2018.
As questões pertencem ao ENEM (INEP) e à UERJ e são reproduzidas para fins educacionais. Gabaritos verificados de forma independente em fontes oficiais e de referência.
Fases do capitalismo exercícios
1) (Enem 2021)
TEXTO I
Em 2016, foram gerados 44,7 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos, um aumento de 8% na compara-ção com 2014. Especialistas previram um crescimento de mais 17%, para 52,2 milhões de toneladas, até 2021.
Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 12 out.2019 (adaptado).
TEXTO II
Há ainda quem exporte deliberadamente lixo eletrônico para o Gana. É mais caro reciclar devidamente os resíduos no mundo industrializado, onde até existem os recursos e a tecnologia. Um negócio muito mais lucra-tivo é vender o lixo eletrônico a negociantes locais, que o importam alegando tratar-se de material usado. Os negociantes depois vendem o lixo aos jovens no mercado, ou noutro lado, que o desmantelam e extraem os fios de cobre. Estes são derretidos em lareiras ao ar livre, poluindo o ar e, muitas vezes, intoxicando direta-mente os próprios jovens.
KALEDZI, I.; SOUZA, G. Disponível em: www.dw.com. Acesso em: 12 out. 2019 (adaptado).
No contexto das discussões ambientais, as práticas descritas nos textos refletem um padrão de relações deriva-do do(a):
a) Exercício pleno da cidadania.
b) Divisão internacional do trabalho.
c) Gestão empresarial do toyotismo.
d) Concepção sustentável da economia.
e) Protecionismo alfandegário dos Estados.
2)(Enem 2021) O uso de novas tecnologias envolve a assimilação de uma cultura empresarial na qual haja a integração entre as propostas de modernização tecnológica e a racionalização. Nem sempre o uso de novas tecnologias é apenas um processo técnico na medida em que pressupõe uma nova orientação no controle do capital, no pro-cesso produtivo e na qualificação da mão de obra. Dos diversos efeitos que derivaram dessa orientação, a ter-ceirização, a precarização e a flexibilização aparecemcom constância como características do paradigma flexível, em substituição a modelo taylorista-fordista. HERÉDIA, V. Novas tecnologias nos processos de trabalho: efeitos da reestruturação produtiva. Scripta Nova, n. 170, ago. 2004 (adaptado).
O uso de novas tecnologias relacionado a controle empresarial é criticado no texto em razão da
a) operacionalização da tarefa laboral.
b) capacitação de profissionais liberais.
c) fragilização das relações de trabalho.
d) hierarquização dos cargos executivos.
e) aplicação dos conhecimentos da ciência.
3)(Enem 2021) Constatou-se uma ínfima inserção da indústria brasileira nas novas tecnologias ancoradas na microeletrôni-ca, capazes de acarretar elevação da produtividade nacional de forma sustentada. Os motores do crescimento nacional, há décadas, são os grupos relacionados a commodities agroindustriais e à indústria representativa do antigo padrão fordista de produção, esta última também limitada pela baixa potencialidade futura de desenca-dear inovações tecnológicas capazes de proporcionar elevação sustentada da produtividade.
AREND, M. A industrialização do Brasil antes a nova divisão internacional do trabalho. Disponível em: www.ipea.gov.br. Acesso em: 16 jul. 2015 (adaptado).
Um efeito desse cenário para a sociedade brasileira tem sido o (a)
a) barateamento da cesta básica.
b) retorno à estatização econômica.
c) ampliação do poder de consumo.
d) subordinação aos fluxos globais.
e) incentivo à política de modernização.
4)(Enem 2021) As grandes empresas seriam, certamente, representação de um exercício de poder, ante o grau de autono-mia de ação de que dispõem. O que se pretende salientar é a ideia de enclave: plantas industriais que estabele-cem relações escassas com o entorno, mas exercem grande influência na economia extralocal. DAVIDOVICH. F. Estado do Rio de Janeiro: o urbano metropolitano. Hipóteses e questões. GeoUERJ, n.21, 2010.
Que tipo de ação tomada por empresas reflete a forma de territorialização da produção industrial apresentada no texto?
a) Criação de vilas operárias.
b) Promoção de eventos comunitários.
c) Recuperação de áreas degradas.
d) Incorporação de saberes tradicionais.
e) Importação de mão de obra qualificada.
5) (Enem 2020) A Divisão Internacional do Trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros, em perder. Nossa comarca no mundo, que hoje chamamos América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se aventuraram pelos ma-res e lhe cravaram os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aprimorou suas funções. GALEANO, E. As veias abertas da América Latina. São Paulo: Paz e Terra, 1978.
Escrito na década de 1970, o texto considera a participação da América Latina na Divisão Internacional do Trabalho marcada pela
a) produção inovadora de padrões de tecnologia.
b) superação paulatina do caráter agroexportador.
c) apropriação imperialista dos recursos territoriais.
d) valorização econômica dos saberes tradicionais.
e) dependência externa do suprimento de alimentos
6) (Enem 2020) O toyotismo, a partir dos anos 1970, teve grande impacto no mundo ocidental, quando se mostrou para os países avançados como uma opção possível para a superação de uma crise de acumulação. ANTU-NES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boi-tempo, 2009 (adaptado).
A característica organizacional do modelo em questão, requerida no contexto de crise, foi o(a)
a) expansão dos grandes estoques.
b) incremento da fabricação em massa.
c) adequação da produção à demanda.
d) aumento da mecanização do trabalho.
e) centralização das etapas de planejamento.
7) (Enem 2017) Procuramos demonstrar que o desenvolvimento pode ser visto como um processo de expansão das li-berdades reais que as pessoas desfrutam. O enfoque nas liberdades humanas contrasta com visões mais restritas de desenvolvimento, como as que identificam desenvolvimento com crescimento do Produto Nacional Bruto, ou industrialização. O crescimento do PNB pode ser muito importante como um meio de expandir as liberdades. Mas as liberdades dependem também de outros determinantes, como os ser-viços de educação e saúde e os direitos civis.
SEN, A. Desenvolvimento como liberdade. São Paulo: Cia. das Letras, 2010.
A concepção de desenvolvimento proposta no texto fundamenta-se no vínculo entre
a) incremento da indústria e atuação no mercado financeiro.
b) criação de programas assistencialistas e controle de preços.
c) elevação da renda média e arrecadação de impostos.
d) garantia da cidadania e ascensão econômica.
e) ajuste de políticas econômicas e incentivos fiscais.
8) (Enem 2017) O New Deal visa restabelecer o equilíbrio entre o custo de produção e o preço, entre a cidade e o cam-po, entre os preços agrícolas e os preços industriais, reativar o mercado interno — o único que é impor-tante —, pelo controle de preços e da produção, pela revalorização dos salários e do poder aquisitivo das massas, isto é, dos lavradores e operários, e pela regulamentação das condições de emprego.CROUZET, M. Os Estados perante a crise. In: História geral das civilizações. São Paulo: Difel, 1977 (adaptado).
Tendo como referência os condicionantes históricos do entreguerras, as medidas governamentais descritas objetivavam
a) flexibilizar as regras do mercado financeiro.
b) fortalecer o sistema de tributação regressiva.
c) introduzir os dispositivos de contenção creditícia.
d) racionalizar os custos da automação industrial mediante negociação sindical.
e) recompor os mecanismos de acumulação econômica por meio da intervenção estatal.
9) (Enem 2017) A instalação de uma refinaria obedece a diversos fatores técnicos. Um dos mais importantes é a locali-zação, que deve ser próxima tanto dos centros de consumo como das áreas de produção. A Petrobras possui refinarias estrategicamente distribuídas pelo país. Elas são responsáveis pelo processamento de milhões de barris de petróleo por dia, suprindo o mercado com derivados que podem ser obtidos a par-tir de petróleo nacional ou importado. MURTA, A. L. S. Energia: o vício da civilização; crise energética e alternativas sustentáveis. Rio de Janeiro: Garamond, 2011.
A territorialização de uma unidade produtiva depende de diversos fatores locacionais. A partir da leitura do texto, o fator determinante para a instalação das refinarias de petróleo é a proximidade a
a) sedes de empresas petroquímicas.
b) zonas de importação de derivados.
c) polos de desenvolvimento tecnológico.
d) áreas de aglomerações de mão de obra.
e) espaços com infraestrutura de circulação.
10) (Enem 2019) A reestruturação global da indústria, condicionada pelas estratégias de gestão global da cadeia de valor dos grandes grupos transnacionais, promoveu um forte deslocamento do processo produtivo, até mesmo de plantas industriais inteiras, e redirecionou os fluxos de produção e de investimento. Entretanto, o aumento da participação dos países em desenvolvimento no produto global deu-se de forma bastante assimétrica quando se compara o dinamismo dos países do leste asiático com o dos demais países, sobretudo os latino-americanos, no período 1980-2000.
SARTI, F.; HIRATUKA, C. Indústria mundial: mudanças e tendências recentes. Campinas: Unicamp, n. 186, dez. 2010.
A dinâmica de transformação da geografia das indústrias descrita expõe a complementaridade entre dispersão espacial e
a) autonomia tecnológica.
b) crises de abastecimento.
c) descentralização política.
d) concentração econômica.
e) compartilhamento de lucros
11) (Enem 2019) No sistema capitalista, as muitas manifestações de crise criam condições que forçam a algum tipo de raci-onalização. Em geral, essas crises periódicas têm o efeito de expandir a capacidade produtiva e de renovar as condições de acumulação. Podemos conceber cada crise como uma mudança do processo de acumulação para um nível novo e superior.
HARVEY, D. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2005 (adaptado).
A condição para a inclusão dos trabalhadores no novo processo produtivo descrito no texto é a
a) associação sindical.
b) participação eleitoral.
c) migração internacional.
d) qualificação profissional.
e) regulamentação funcional.
12)(Enem-2012) O mundo entrou na era do globalismo. Todos estão sendo desafiados pelos dilemas e horizontes que se abrem com a formação da sociedade global. Um processo de amplas proporções envolvendo nações e nacionalidades, regimes políticos e projetos nacionais, grupos e classes sociais, economias e sociedades, culturas e civilizações. Fonte: IANNI, O. A era do globalismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1997.
No texto, é feita referência a um momento do desenvolvimento do capitalismo. A expansão do sistema capitalista de produção nesse momento está fundamentada na: (Fácil)
a) difusão de práticas mercantilistas.
b) propagação dos meios de comunicação.
c) ampliação dos protecionismos alfandegários.
d) manutenção do papel controlador dos Estados.
e) conservação das partilhas imperialistas europeias.
13)(Enem 2015) Um carro esportivo é financiado pelo Japão, projetado na Itália e montado em Indiana, México e França, usando os mais avançados componentes eletrônicos, que foram inventados em Nova Jérsei e fabricados na Coreia. A campanha publicitária é desenvolvida na Inglaterra, filmada no Canadá, a edição e as cópias, feitas em Nova York para serem veiculadas no mundo todo. Teias globais disfarçam- se com o uniforme nacional que lhes for mais conveniente. Fonte: REICH, R. O trabalho das nações: preparando- nos para o capitalismo no século XXI. São Paulo: Educator, 1994 (adaptado).
A viabilidade do processo de produção ilustrado pelo texto pressupõe o uso de: (Média)
a) linhas de montagem e formação de estoques.
b) empresas burocráticas e mão de obra barata.
c) controle estatal e infraestrutura consolidada
d) organização em rede e tecnologia de informação.
e) gestão centralizada e protecionismo econômico.
14) (Enem 2016) Quanto mais complicada se tornou a produção industrial, mais numerosos passaram a ser os elementos da indústria que exigiam garantia de fornecimento. Três deles eram de importância fundamental: o trabalho, a terra e o dinheiro. Numa sociedade comercial, esse fornecimento só poderia ser organizado de uma forma: tornando-os disponíveis à compra. Agora eles tinham que ser organizados para a venda no mercado. Isso estava de acordo com a exigência de um sistema de mercado. Sabemos que em um sistema como esse, os lucros só podem ser assegurados se se garante a autorregulação por meio de mercados competitivos interdependentes. A consequência do processo de transformação socioeconômica abordado no texto é a: (Difícil)
a) expansão das terras comunais.
b) limitação do mercado como meio de especulação.
c) consolidação da força de trabalho como mercadoria.
d) diminuição do comércio como efeito da industrialização.
e) adequação do dinheiro como elemento padrão das transações.
15)(Uerj 2008) O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) do Ministério da Justiça condenou, ontem, as empresas Roche, Basf e Aventis. Segundo o Cade, essas empresas teriam restringido a oferta e elevado os preços no Brasil das vitaminas A, B2, B5, C e E, na segunda metade dos anos 90. As empresas já haviam sido condenadas por práticas semelhantes na Europa e EUA. Fonte: Juliano Basile. Adaptado
de Valor Econômico, 12/04/2007
Desde o final do século XIX, tornou-se um aspecto marcante do modo de produção capitalista a formação de grandes empresas capazes de controlar a maior parte dos produtos no mercado.
A notícia acima expressa a seguinte prática presente nessa realidade centenária, associada à seguinte característica do atual momento econômico: (Fácil)
a) holding – fusão de companhias do mesmo setor.
b) cartel – controle do mercado em escala planetária.
c) oligopólio – padronização mundial das leis de concorrência.
d) monopólio – a partir da fusão dessas empresas e o controle do preço no mercado.