🗓️ Atualizado em 23 de julho de 2026

O mundo vive hoje o maior número de conflitos armados desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo o Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala (UCDP), 2025 fechou com 75 guerras ativas — recorde desde 1946. Entender essas guerras atuais deixou de ser assunto apenas de diplomatas: elas definem o preço do combustível no posto, o custo do arroz no supermercado e o conteúdo que cai no ENEM e nos concursos militares.

Este guia reúne, de forma organizada e atualizada, os 6 principais conflitos internacionais de 2026: Ucrânia, Faixa de Gaza, Sudão, República Democrática do Congo, Mianmar e Iêmen. Para cada um, você encontra localização, história, causas, atores, recursos naturais em disputa, situação atual e — o mais importante para quem estuda — como o tema costuma ser cobrado nas provas.

Por que existem guerras?

Nenhuma guerra tem causa única. O que a Geografia Política ensina é que os conflitos nascem do encontro entre disputas materiais (território, recursos, rotas comerciais) e disputas simbólicas (identidade étnica, religião, projeto nacional), mediadas por estruturas de poder — quem tem armas, quem tem aliados, quem controla o Estado.

Reduzir um conflito a “ódio antigo entre povos” é o erro mais comum — e é justamente a leitura que as provas costumam desmontar. Por trás de quase todo conflito contemporâneo há questões concretas: quem controla um porto, uma jazida de cobalto, um aquífero, uma rota de gás.

Conceito-chave Geopolítica é o estudo das relações entre poder político e espaço geográfico. O termo foi cunhado em 1899 pelo sueco Rudolf Kjellén. Ela investiga como território, recursos e posição geográfica influenciam as decisões dos Estados — e como essas decisões, por sua vez, transformam o espaço.

Por que estudar geopolítica no Ensino Médio

Porque ela integra praticamente todo o currículo de Geografia Humana: população, migrações, energia, indústria, comércio internacional, meio ambiente e cartografia aparecem juntos na análise de um conflito. Quem entende geopolítica não decora — relaciona. E é exatamente essa a competência que o ENEM avalia.

Importância para o ENEM

Os conflitos ENEM raramente aparecem como pergunta direta sobre datas. O exame apresenta um texto jornalístico, um mapa ou uma charge e pede a causa estrutural ou a consequência. Domine causas e efeitos, e você resolve a questão mesmo sem conhecer o episódio específico.

Importância para concursos militares

Em EsPCEx, ESA, EEAR e EPCAR, o peso da geopolítica atual é ainda maior, e a cobrança é mais factual: localização exata no mapa, nomes de estreitos e canais, organizações internacionais, blocos de poder e recursos estratégicos. Aqui, o mapa precisa estar na ponta da língua.

O que é um conflito internacional?

Um conflito internacional é a disputa entre dois ou mais atores — Estados, grupos armados, organizações — que envolve o uso ou a ameaça de força e ultrapassa, em causas ou efeitos, as fronteiras de um único país.

É importante distinguir alguns termos que as provas adoram confundir:

Guerra interestatal, guerra civil e conflito internacionalizado

  • Guerra interestatal: opõe dois ou mais Estados soberanos. Exemplo atual: Rússia × Ucrânia.
  • Guerra civil: ocorre dentro de um país, entre governo e grupos armados internos, ou entre facções. Exemplos: Sudão e Mianmar.
  • Conflito internacionalizado: é uma guerra civil na qual potências estrangeiras intervêm, direta ou indiretamente. É o formato mais comum hoje — caso da República Democrática do Congo e do Iêmen.
Cai na prova A maior parte dos conflitos contemporâneos não é uma guerra clássica entre dois exércitos nacionais. São conflitos internos com forte participação externa — o que os torna mais longos, mais difíceis de negociar e mais letais para civis. Se uma alternativa afirmar que “predominam as guerras entre Estados”, desconfie.

Guerra por procuração (proxy war)

É quando potências rivais apoiam lados opostos de um conflito local sem se enfrentarem diretamente. O Iêmen é o exemplo mais citado: Arábia Saudita e Irã sustentam forças adversárias sem declararem guerra entre si. A lógica reduz o custo político para as potências e prolonga o sofrimento da população local.

Como surgem as guerras: os cinco motores dos conflitos

1. Disputa por território e fronteiras

Fronteiras impostas de fora são fonte permanente de instabilidade. Na África, o traçado definido na Conferência de Berlim (1884-1885) dividiu povos e reuniu grupos rivais sob um mesmo Estado. No Oriente Médio, os acordos entre potências europeias após a Primeira Guerra Mundial produziram efeito semelhante.

2. Recursos naturais

Petróleo, gás, água, minerais críticos e terras férteis financiam e motivam guerras. Quando um grupo armado controla uma mina, ele ganha receita para comprar armas — e o conflito se autoalimenta.

Conceito-chave Maldição dos recursos naturais (ou paradoxo da abundância): países muito ricos em recursos estratégicos frequentemente apresentam pior desempenho em desenvolvimento humano, por concentração de renda, corrupção, dependência externa e conflitos pelo controle das jazidas. A República Democrática do Congo é o exemplo mais estudado.

3. Identidade étnica e religiosa

A identidade raramente é a causa original, mas costuma ser o combustível: líderes mobilizam pertencimento étnico ou religioso para arregimentar apoio e desumanizar o adversário. Em Darfur, no Sudão, a violência tem alvo étnico definido.

4. Disputa pelo poder do Estado

Golpes militares e crises de sucessão abrem guerras civis. Mianmar (golpe de 2021) e Sudão (ruptura entre dois generais aliados) são casos claros: o conflito nasce da disputa sobre quem controla o aparato estatal.

5. Interesses de potências externas

Estados Unidos, China, Rússia, União Europeia e potências regionais projetam poder por meio de armas, sanções, investimentos e diplomacia. Nenhum dos seis conflitos deste guia é puramente local.

Mapa dos principais conflitos do mundo

Uma leitura cartográfica revela um padrão: os conflitos atuais se concentram em uma faixa que vai da Europa Oriental ao Sudeste Asiático, passando pelo Oriente Médio e pelo Sahel africano — justamente onde estão as principais reservas de energia e minerais e as rotas marítimas mais movimentadas do planeta.

📍 Infográfico sugerido: mapa-múndi com os seis conflitos sinalizados por círculos proporcionais ao número de deslocados, sobrepostos às principais rotas marítimas e aos choke points (Ormuz, Bab el-Mandeb, Suez, Malaca). Título sugerido: “Conflitos mundiais 2026 e rotas estratégicas”.

Onde está cada conflito

  • Ucrânia — Europa Oriental, fronteira ocidental da Rússia, litoral do Mar Negro e do Mar de Azov.
  • Faixa de Gaza e Cisjordânia — Oriente Médio, litoral oriental do Mediterrâneo.
  • Sudão — nordeste da África, entre o Sahel e o Mar Vermelho, com Darfur no oeste do país.
  • República Democrática do Congo — África Central, com o conflito concentrado nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, na fronteira com Ruanda e Uganda.
  • Mianmar — Sudeste Asiático, entre Índia, China e Tailândia, com saída para o Oceano Índico.
  • Iêmen — extremo sul da Península Arábica, controlando a margem oriental do estreito de Bab el-Mandeb.
Cai na prova Decore a posição dos choke points: Ormuz (entre Irã e Omã, saída do Golfo Pérsico), Bab el-Mandeb (entre Iêmen e Djibuti, entrada sul do Mar Vermelho), Suez (Egito, ligação Mediterrâneo–Mar Vermelho) e Malaca (entre Malásia e Indonésia). Três dos seis conflitos deste guia estão adjacentes a um desses pontos.

1. Rússia × Ucrânia: a maior guerra convencional desde 1945

InícioFev/2014 · escalada em Fev/2022
TipoGuerra interestatal
RegiãoEuropa Oriental
Em disputaTerritório, grãos, energia

Localização

A Ucrânia ocupa posição estratégica entre a Rússia e a Europa Central, com amplo litoral no Mar Negro e no Mar de Azov. Os combates concentram-se no leste (bacia do Donbass, com as províncias de Donetsk e Lugansk) e no sul, em direção à Crimeia — península anexada pela Rússia em 2014.

História e causas

O conflito não começou em 2022. Em 2014, após protestos que derrubaram um presidente alinhado a Moscou, a Rússia anexou a Crimeia e apoiou separatistas no Donbass. Seguiram-se oito anos de guerra de baixa intensidade. Em fevereiro de 2022, a Rússia lançou uma invasão em larga escala.

As causas combinam: a resistência russa à expansão da OTAN em direção ao leste europeu; a disputa sobre a orientação geopolítica da Ucrânia (União Europeia ou esfera russa); o valor econômico do território ucraniano; e a leitura histórica do Kremlin sobre a unidade dos povos eslavos orientais.

Atores envolvidos e potências internacionais

De um lado, a Federação Russa; de outro, a Ucrânia, sustentada por apoio militar e financeiro de países da OTAN e da União Europeia. A guerra tornou-se também um teste da coesão ocidental — e uma janela para a China observar o comportamento do Ocidente diante de uma agressão territorial.

Recursos naturais e objetivos estratégicos

A Ucrânia é conhecida como “celeiro da Europa”: grande exportadora de trigo, milho e óleo de girassol. O leste concentra carvão, ferro e indústria pesada, e o Mar Negro dá acesso às rotas de exportação de grãos. Para a Rússia, os objetivos incluem consolidar um corredor terrestre até a Crimeia e impedir a integração ucraniana às instituições ocidentais.

Situação atual (julho de 2026)

A guerra se consolidou como um conflito de atrito: avanços territoriais lentos, uso massivo de drones e ataques de longo alcance contra infraestrutura energética de ambos os lados. A Ucrânia tem atingido refinarias e centros logísticos em território russo, enquanto cidades ucranianas seguem sob bombardeio. Em julho de 2026, a Ucrânia passou por uma reconfiguração na cúpula militar e de governo, acompanhada de protestos internos.

Quanto aos custos humanos, é preciso distinguir estimativas. A ONU verificou mais de 16 mil mortes de civis desde fevereiro de 2022 — número que a própria organização considera subestimado, por dificuldade de acesso a áreas ocupadas. Já as baixas militares russas (mortos e feridos) foram estimadas em torno de 1,2 milhão por um relatório do Center for Strategic and International Studies divulgado em janeiro de 2026. Estimativas militares variam muito conforme a fonte e devem ser tratadas com cautela.

Como ler os números Dados de guerra sempre têm margem de incerteza. Órgãos da ONU contabilizam apenas mortes verificadas; centros de estudos estratégicos estimam baixas totais por modelagem; governos beligerantes divulgam números com interesse político. Ao citar dados em uma redação ou resposta discursiva, mencione a fonte — isso demonstra rigor.

Consequências para a população e para o ambiente

Milhões de ucranianos deixaram o país e outros tantos foram deslocados internamente. Cidades inteiras do leste foram destruídas. Há danos ambientais graves: contaminação do solo por munições, incêndios em áreas industriais, destruição de represas e riscos associados a instalações nucleares em zona de combate. A contaminação por minas terrestres deve levar décadas para ser revertida.

Perspectivas

Nenhum dos lados demonstra capacidade de vitória militar decisiva no curto prazo, o que sustenta o cenário de guerra prolongada. Negociações ocorrem de forma intermitente, mas esbarram na questão territorial e nas garantias de segurança.

Como o ENEM e os vestibulares cobram

O ENEM privilegia os efeitos globais: crise de alimentos, preço dos fertilizantes, segurança energética europeia e fluxos de refugiados. Fuvest e Unicamp costumam pedir análise histórica (expansão da OTAN, dissolução da URSS) e leitura de mapas. A EsPCEx cobra localização precisa: Donbass, Crimeia, Mar de Azov, Mar Negro.

O que lembrar Ucrânia = grãos + energia + posição estratégica. A guerra começou em 2014 (Crimeia), não em 2022. Efeito global mais cobrado: alta dos preços de alimentos e fertilizantes.

2. Israel × Hamas: Gaza, Cisjordânia e a dimensão regional

EscaladaOut/2023
TipoAssimétrico + regional
RegiãoOriente Médio
Em disputaTerritório e soberania

Localização

A Faixa de Gaza é uma estreita área costeira de cerca de 365 km² no Mediterrâneo oriental, entre Israel e o Egito — uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. A Cisjordânia, separada de Gaza, situa-se a oeste do rio Jordão e abriga assentamentos israelenses considerados ilegais pelo direito internacional.

História e causas

As raízes contemporâneas remontam ao fim do Império Otomano, ao Mandato Britânico e ao Plano de Partilha da ONU de 1947, que previa dois Estados. A criação de Israel em 1948 e as guerras subsequentes redefiniram fronteiras e produziram grande deslocamento de população palestina. Desde então, permanecem sem solução: o estatuto de Jerusalém, os assentamentos, o direito de retorno dos refugiados e a viabilidade de um Estado palestino.

A escalada desde 2023

Em 7 de outubro de 2023, um ataque liderado pelo Hamas contra o sul de Israel matou cerca de 1.200 pessoas e resultou na captura de 251 reféns. A ofensiva israelense subsequente sobre Gaza tornou-se a mais letal da história do conflito: segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 73 mil palestinos foram mortos — número tratado como razoavelmente confiável por agências da ONU, embora não distinga civis de combatentes e provavelmente subestime mortes indiretas por fome e colapso do sistema de saúde.

Situação atual (julho de 2026)

Vigora desde o fim de 2025 um cessar-fogo que incluiu a libertação dos reféns restantes e de prisioneiros palestinos. O acordo, porém, é frágil: mais de mil pessoas foram mortas em Gaza desde sua entrada em vigor, e o monitoramento independente do ACLED registrou aumento dos ataques em junho de 2026. A reconstrução mal começou, e a população convive com destruição em massa da infraestrutura de água, saúde e educação.

A dimensão regional: Irã, Hezbollah e o “eixo da resistência”

O conflito nunca foi apenas bilateral. O Irã apoia o Hamas, o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen — rede frequentemente chamada de “eixo da resistência”. Em 2026, a tensão escalou para o confronto direto entre Estados Unidos e Irã, iniciado em fevereiro, com ataques a infraestrutura energética iraniana e respostas iranianas contra bases norte-americanas em países do Golfo, como Jordânia, Bahrein e Kuwait. O estreito de Ormuz tornou-se o centro nervoso dessa disputa.

Conceito-chave Conflito assimétrico: opõe um Estado com forças armadas convencionais a um grupo armado não estatal, que utiliza táticas irregulares. Provoca dificuldade de distinção entre combatentes e civis — um dos pontos centrais dos debates sobre direito internacional humanitário.

Recursos, religião e política

Diferente de outros conflitos deste guia, a disputa central aqui não é por petróleo, e sim por território, soberania e segurança. Água e terras agricultáveis pesam na Cisjordânia. A dimensão religiosa é real — Jerusalém é sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos —, mas reduzir tudo à religião é erro analítico: trata-se, sobretudo, de uma disputa política e territorial entre dois projetos nacionais.

Consequências

Gaza vive colapso humanitário, com insegurança alimentar severa, sistema de saúde destruído e uma geração inteira fora da escola. Israel enfrenta trauma social, custos militares elevados e isolamento diplomático crescente. Tribunais internacionais analisam acusações contra ambos os lados. No plano ambiental, os escombros, o esgoto não tratado e a contaminação do lençol freático em Gaza representam um passivo de longo prazo.

Como o ENEM e os vestibulares cobram

O ENEM tende a abordar a dimensão humanitária e o papel dos organismos internacionais, com textos e charges. Fuvest e Unicamp cobram a formação histórica do conflito e a leitura de mapas da evolução territorial. A EsPCEx foca a geopolítica regional: petróleo, estreitos e alinhamentos entre potências.

O que lembrar Gaza ≠ Cisjordânia (territórios separados, com situações distintas). O conflito é territorial e político, não apenas religioso. A dimensão regional passa por Irã, Hezbollah e Houthis.

3. Sudão: a maior crise humanitária do mundo

InícioAbril/2023
TipoGuerra civil internacionalizada
RegiãoNordeste da África
Em disputaPoder, ouro, terras

Localização e história

O Sudão ocupa posição estratégica entre o Sahel e o Mar Vermelho, fazendo fronteira com sete países. O território tem histórico de conflitos: guerras civis levaram à independência do Sudão do Sul em 2011, e a região de Darfur, no oeste, foi palco de violência em massa nos anos 2000.

Causas e atores

A guerra atual eclodiu em 15 de abril de 2023, quando ruiu a aliança entre dois generais que haviam tomado o poder juntos: as Forças Armadas do Sudão (SAF), de Abdel Fattah al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar de Mohamed Hamdan Dagalo, o “Hemedti”, herdeiro das milícias Janjaweed de Darfur. O estopim foi a disputa sobre a integração das RSF ao exército regular durante uma transição democrática que nunca se completou.

Situação atual e a queda de El Fasher

Em outubro de 2025, as RSF tomaram El Fasher, capital de Darfur do Norte, após cerca de 18 meses de cerco. Uma missão independente de apuração da ONU concluiu que os crimes cometidos na cidade apresentam “características de genocídio”, apontando ataques dirigidos contra as comunidades Zaghawa e Fur. Em julho de 2026, a Anistia Internacional publicou relatório documentando crimes contra a humanidade e limpeza étnica, incluindo detenções ilegais e sequestros para resgate.

A situação humanitária é extrema. Médicos Sem Fronteiras registrou, em campos que receberam sobreviventes, disponibilidade média de cerca de 1,5 litro de água por pessoa por dia — dez vezes menos que o mínimo de 15 litros recomendado em crises humanitárias.

Interesses econômicos e potências envolvidas

O Sudão possui ouro (fonte histórica de financiamento das RSF), terras agrícolas férteis ao longo do Nilo e uma faixa litorânea valiosa no Mar Vermelho, próxima a rotas marítimas globais. O conflito atraiu apoios externos regionais; o governo sudanês acusa os Emirados Árabes Unidos de apoiarem as RSF, acusação que o país nega. Rússia, Egito e potências do Golfo têm interesses distintos no desfecho.

Consequências

O Sudão tornou-se a maior crise de deslocamento do planeta, com milhões de pessoas expulsas de suas casas e insegurança alimentar em nível de fome declarada em várias regiões. O sistema de saúde entrou em colapso, com surtos de cólera e desnutrição infantil. Ambientalmente, a guerra acelerou o desmatamento, a contaminação de fontes de água e a degradação de terras agrícolas já pressionadas pela desertificação do Sahel.

Perspectivas

O país corre risco de fragmentação territorial de fato, com o oeste sob controle das RSF e o leste sob o exército. As negociações mediadas por atores regionais não produziram, até aqui, um cessar-fogo duradouro.

Como as provas cobram

O Sudão aparece principalmente em questões sobre crises humanitárias, refugiados, fome e atuação de organizações internacionais. Também é usado para discutir a fragilidade estatal africana e as consequências das fronteiras coloniais. É um tema em ascensão nas provas — vale atenção.

O que lembrar SAF (exército) × RSF (paramilitares, ex-Janjaweed). Início: abril de 2023. Darfur concentra a violência étnica. Hoje é a maior crise humanitária do mundo.

4. República Democrática do Congo: a guerra dos minerais estratégicos

OrigemAnos 1990 · reativado em 2021
TipoConflito internacionalizado
RegiãoÁfrica Central
Em disputaColtan, cobalto, ouro

Localização

A RDC é o segundo maior país da África em extensão. O conflito concentra-se no leste, nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, na fronteira com Ruanda, Uganda e Burundi — região montanhosa, densamente povoada e riquíssima em minerais.

História e causas

As raízes remontam ao genocídio de Ruanda em 1994: após o massacre e a subsequente tomada do poder pelas forças tutsis, cerca de dois milhões de hutus cruzaram a fronteira para o Congo, transferindo o conflito ruandês para o território congolês. Seguiram-se duas guerras que envolveram vários países africanos e deixaram milhões de mortos, sobretudo por fome e doenças.

Desde então, mais de cem grupos armados operam no leste congolês. O mais poderoso é o M23 (Movimento 23 de Março), formado majoritariamente por combatentes tutsis, criado em 2012 e reativado em 2021. Relatórios de especialistas da ONU apontam a presença de milhares de soldados ruandeses apoiando o grupo — apoio que Ruanda nega.

Recursos naturais: por que o mundo depende do Congo

A RDC é o maior produtor mundial de cobalto, insumo essencial das baterias de íon-lítio que movem carros elétricos e celulares. É também um dos maiores fornecedores de coltan, do qual se extrai o tântalo usado em capacitores eletrônicos — segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, o país respondeu por cerca de 40% da produção mundial de coltan em 2023. O território abriga ainda cobre, ouro, lítio e terras raras.

A mina de Rubaya, sob controle do M23, produz sozinha uma fatia expressiva do coltan mundial. Relatórios da ONU estimam que o grupo arrecada centenas de milhares de dólares mensais apenas com a taxação da produção mineral — o que transforma o controle das minas em objetivo militar central.

📊 Gráfico sugerido: barras comparando a participação da RDC na produção mundial de cobalto e coltan com a dos demais países, ao lado da posição do país no ranking do IDH. O contraste visual sintetiza a “maldição dos recursos naturais”.

Potências internacionais

A disputa é também uma disputa entre grandes potências pelo acesso a minerais críticos. A China domina hoje a maior parte da mineração e do processamento global de terras raras, e os Estados Unidos buscam alternativas a essa dependência. Em dezembro de 2025, foram assinados em Washington acordos entre RDC e Ruanda, junto a uma parceria estratégica que amplia o acesso norte-americano aos minerais congoleses em troca de investimento e cooperação em segurança. Novos entendimentos ocorreram em 2026, incluindo compromissos de proteção a civis, mas a implementação segue contestada e episódios de violação foram registrados por ambos os lados.

Consequências

O leste congolês concentra milhões de deslocados internos e registra níveis alarmantes de violência sexual usada como arma de guerra. A mineração artesanal envolve trabalho infantil e condições degradantes. No plano ambiental, a extração irregular provoca desmatamento na bacia do Congo — a segunda maior floresta tropical do mundo — além de assoreamento de rios e contaminação por mercúrio.

Cai na prova A conexão mais cobrada é: transição energética → demanda por cobalto e lítio → pressão sobre o Congo. O carro elétrico, símbolo de sustentabilidade no Norte, depende de uma cadeia que sustenta conflito armado no Sul. Essa contradição é prato cheio para questões de ENEM e para redação.

Como as provas cobram

Aparece em questões sobre recursos estratégicos, transição energética, cadeias globais de valor e neocolonialismo. Também é usado para discutir a herança da Conferência de Berlim e a fragilidade das fronteiras africanas.

O que lembrar RDC = maior produtor mundial de cobalto + grande produtor de coltan. Grupo principal: M23, com apoio atribuído a Ruanda. Raiz histórica: genocídio de Ruanda (1994).

5. Mianmar: a guerra civil esquecida do Sudeste Asiático

InícioGolpe de Fev/2021
TipoGuerra civil
RegiãoSudeste Asiático
Em disputaPoder estatal e autonomia étnica

Localização e importância estratégica

Mianmar (antiga Birmânia) faz fronteira com China, Índia, Tailândia, Laos e Bangladesh, com litoral no Oceano Índico. Essa posição é geopoliticamente valiosa: oferece à China uma saída para o Índico que contorna o estreito de Malaca, ponto por onde passa grande parte do petróleo importado pelo país asiático. Daí os investimentos chineses em oleodutos, gasodutos e no porto de águas profundas de Kyaukphyu.

História e causas

O país nunca conheceu paz plena desde a independência do Reino Unido, em 1948: dezenas de organizações armadas étnicas lutam há décadas por autonomia. Em 1º de fevereiro de 2021, os militares deram um golpe de Estado, derrubando o governo eleito e prendendo a líder Aung San Suu Kyi sob alegações não comprovadas de fraude eleitoral.

A repressão violenta aos protestos pacíficos transformou o movimento pró-democracia em insurgência armada. Formaram-se as Forças de Defesa do Povo (PDF), ligadas a um governo paralelo no exílio, que passaram a atuar em aliança com organizações étnicas históricas — combinação inédita que se tornou o maior desafio já enfrentado pelos militares birmaneses.

Situação atual (2026)

A junta liderada por Min Aung Hlaing organizou eleições entre o fim de dezembro de 2025 e janeiro de 2026, em três fases. O pleito foi boicotado pelo governo paralelo e por organizações étnicas armadas, excluiu os principais partidos de oposição e não pôde ser realizado em vastas áreas do país. A ONU e diversos governos consideraram o processo carente de legitimidade.

Análises baseadas em dados de campo indicam que a junta controla pouco mais de um quinto do território — a porção central —, enquanto forças de resistência e milícias étnicas dominam cerca de 42%, e o restante permanece disputado. No oeste, o Exército Arakan controla a maior parte do estado de Rakhine.

Minorias étnicas e a questão rohingya

Mianmar é um mosaico com mais de 130 grupos étnicos reconhecidos. Entre eles, os rohingya, minoria muçulmana do estado de Rakhine, submetidos a perseguição sistemática: uma campanha militar em 2017 forçou centenas de milhares a fugir para Bangladesh. Privados de cidadania pela legislação birmanesa, os rohingya constituem hoje o maior grupo de apátridas do mundo.

Consequências e recursos

Segundo o monitoramento do ACLED, cerca de 90 mil pessoas morreram no conflito, que produziu aproximadamente 3,6 milhões de deslocados. Metade da população vive abaixo da linha da pobreza. O país é rico em gás natural, jade, madeiras nobres e terras raras — recursos que financiam tanto a junta quanto grupos armados. A exploração descontrolada tem provocado desmatamento acelerado e contaminação de rios.

Como as provas cobram

Mianmar aparece em questões sobre Estados falidos, minorias étnicas, apátridas, refugiados e influência chinesa no Sudeste Asiático. A questão rohingya é o recorte mais frequente, geralmente associada ao conceito de limpeza étnica e ao debate sobre direitos humanos.

O que lembrar Golpe militar em fevereiro de 2021. Rohingya = maior grupo apátrida do mundo. Importância estratégica: saída chinesa para o Índico, contornando Malaca.

6. Iêmen: os Houthis, o Mar Vermelho e o comércio mundial

Início2014
TipoGuerra por procuração
RegiãoPenínsula Arábica
Em disputaPoder e rota marítima

Localização estratégica

O Iêmen ocupa o extremo sul da Península Arábica e controla a margem oriental do estreito de Bab el-Mandeb — a entrada sul do Mar Vermelho, caminho obrigatório para os navios que seguem ao Canal de Suez. Quem ameaça essa passagem afeta diretamente o comércio entre Ásia e Europa.

História e causas

O país é o mais pobre da região e carrega décadas de instabilidade. Em 2014, o movimento Houthi, de orientação zaidita (ramo do islamismo xiita) e base no norte, tomou a capital Saná, derrubando o governo reconhecido internacionalmente. Em 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio militarmente para restaurá-lo.

Configurou-se então uma clássica guerra por procuração: a Arábia Saudita (sunita) de um lado, o Irã (xiita) apoiando os Houthis de outro — sem confronto direto entre as duas potências regionais.

O Mar Vermelho e a crise do comércio global

A partir do fim de 2023, os Houthis passaram a atacar embarcações no Mar Vermelho, declarando agir em solidariedade aos palestinos. O efeito foi imediato: grandes armadores desviaram navios para a rota do Cabo da Boa Esperança, acrescentando milhares de quilômetros e vários dias a cada viagem, com aumento expressivo de fretes e seguros.

Em julho de 2026, o grupo anunciou um bloqueio naval dirigido a embarcações ligadas à Arábia Saudita, levando petroleiros carregados na costa saudita a inverter rota no Mar Vermelho. A medida somou-se à tensão já existente no estreito de Ormuz, pressionando simultaneamente as duas principais saídas de petróleo do Oriente Médio.

🗺️ Mapa sugerido: traçado comparativo das duas rotas Ásia–Europa — via Suez/Bab el-Mandeb versus contorno pelo Cabo da Boa Esperança — com distância e tempo estimados em cada uma. Excelente recurso visual para sala de aula.

Consequências humanitárias

O Iêmen acumula uma das piores crises humanitárias do mundo: milhões de pessoas dependem de ajuda alimentar, o sistema de saúde entrou em colapso e o país enfrentou grandes surtos de cólera. A economia de guerra e o bloqueio de portos agravam a fome, num território que já importava a maior parte dos alimentos que consome.

Aspectos religiosos e étnicos

A clivagem entre zaiditas (xiitas) e sunitas é real, mas insuficiente para explicar o conflito. Há também disputas tribais, tensões entre norte e sul (o Iêmen do Sul foi um Estado independente até 1990) e a competição por recursos e poder político. Como nos demais casos, a religião organiza a mobilização, mas não é a causa isolada.

Como as provas cobram

O Iêmen entra sobretudo pela porta da logística global: rotas marítimas, choke points, custos de frete e preço do petróleo. Também aparece em questões sobre guerra por procuração e sobre a rivalidade entre Arábia Saudita e Irã.

O que lembrar Houthis (apoio iraniano) × governo apoiado pela Arábia Saudita = guerra por procuração. Ponto-chave: Bab el-Mandeb, porta de entrada do Mar Vermelho e do Canal de Suez.

Tabela comparativa dos 6 conflitos

Use este quadro para revisão rápida. As estimativas de mortes e deslocados variam conforme a fonte e a metodologia — os valores abaixo são ordens de grandeza consolidadas por organismos internacionais até meados de 2026.

ConflitoInícioMortes (ordem de grandeza)DeslocadosPrincipais gruposInteresses econômicosParticipação internacionalSituação em 2026
Rússia × Ucrânia2014 / 2022Centenas de milhares (militares); +16 mil civis verificados pela ONUMilhões (internos e externos)Forças Armadas da Rússia e da UcrâniaGrãos, energia, indústria, acesso ao Mar NegroOTAN e UE apoiam a UcrâniaGuerra de atrito, sem solução negociada
Israel × HamasOut/2023 (raízes em 1948)+73 mil palestinos (Min. Saúde de Gaza); ~1.200 israelenses em 7/10/2023Quase toda a população de Gaza deslocadaForças israelenses, Hamas, Hezbollah, HouthisTerritório, água, segurança regionalEUA, Irã, Egito, CatarCessar-fogo frágil, com violações
SudãoAbr/2023Dezenas de milhares (subnotificação alta)Maior crise de deslocamento do mundoSAF (exército) × RSF (paramilitares)Ouro, terras férteis, litoral do Mar VermelhoPotências do Golfo, Egito, RússiaRisco de fragmentação territorial
Rep. Dem. do CongoAnos 1990 / 2021Milhões desde os anos 1990Milhões de deslocados internosM23/AFC, forças congolesas, +100 milíciasCobalto, coltan, ouro, lítio, terras rarasRuanda, EUA, ChinaAcordos assinados, implementação contestada
MianmarFev/2021~90 mil (ACLED)~3,6 milhõesJunta militar, PDF, exércitos étnicosGás, jade, madeira, terras rarasChina, Rússia, ASEANJunta controla ~21% do território
Iêmen2014Centenas de milhares (diretas e indiretas)Milhões de deslocados internosHouthis × governo e coalizão sauditaRota marítima de Bab el-MandebArábia Saudita, Irã, EUABloqueio naval e ataques à navegação

Linha do tempo: como os conflitos evoluíram (2014–2026)

  • 2014 Rússia anexa a Crimeia e começa a guerra no Donbass. No Iêmen, os Houthis tomam Saná. Dois conflitos que moldariam a década nascem no mesmo ano.
  • 2020 A pandemia desorganiza cadeias produtivas e agrava crises humanitárias, enquanto conflitos seguem ativos com menor cobertura da imprensa.
  • 2021 Golpe militar em Mianmar (fevereiro) inaugura uma guerra civil de escala nacional. O M23 é reativado no leste do Congo.
  • 2022 Invasão russa em larga escala da Ucrânia (fevereiro). Preços de energia, trigo e fertilizantes disparam no mundo inteiro — inclusive no Brasil.
  • 2023 Guerra civil eclode no Sudão (abril). Ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro desencadeia a ofensiva sobre Gaza. Houthis passam a atacar navios no Mar Vermelho.
  • 2024 Guerra de atrito na Ucrânia. Ofensiva do M23 avança no Congo. A crise do Mar Vermelho encarece o comércio global.
  • 2025 M23 toma Goma e Bukavu. RSF conquistam El Fasher (outubro). Cessar-fogo em Gaza no fim do ano. Acordos entre RDC e Ruanda em Washington (dezembro). UCDP registra 75 conflitos ativos, recorde desde 1946.
  • 2026 Confronto direto entre Estados Unidos e Irã a partir de fevereiro, com crise no estreito de Ormuz e alta do petróleo. Eleições contestadas em Mianmar. Missão da ONU aponta “características de genocídio” em El Fasher. Em julho, Houthis declaram bloqueio naval e a guerra na Ucrânia registra nova escalada.

Consequências econômicas globais

Conflitos não ficam confinados ao seu território. Eles se propagam pela economia mundial por meio de preços, rotas e expectativas — e é por aí que chegam ao seu cotidiano.

Petróleo e gás natural

O estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Durante a escalada entre Estados Unidos e Irã em 2026, o barril de Brent chegou a ultrapassar US$ 120 em determinados momentos, com forte volatilidade ao longo do ano. A guerra na Ucrânia já havia reorganizado o mercado europeu de gás, forçando a União Europeia a buscar novos fornecedores e a acelerar investimentos em renováveis.

Fertilizantes e alimentos

Rússia e Belarus estão entre os maiores exportadores mundiais de fertilizantes. Além disso, os fertilizantes nitrogenados dependem de gás natural como insumo — de modo que a alta da energia se transmite ao adubo, e do adubo ao preço dos alimentos. A Ucrânia, grande exportadora de trigo e milho, completa o quadro de pressão sobre a segurança alimentar global.

Transporte marítimo, Suez e Mar Vermelho

Cerca de 80% do comércio mundial em volume viaja por mar. Quando o Mar Vermelho se torna perigoso, os navios contornam a África, o que alonga viagens, ocupa mais tempo de frota e eleva fretes e seguros. Esses custos entram no preço final das mercadorias — inclusive de eletrônicos e vestuário vendidos no Brasil.

Inflação e mercado financeiro

A soma de energia mais cara, fretes mais caros e incerteza produz inflação global. Nos mercados financeiros, crises geopolíticas provocam fuga para ativos considerados seguros — dólar e ouro —, o que tende a desvalorizar moedas de países emergentes e encarecer importações.

Conceito-chave Segurança energética é a capacidade de um país garantir fornecimento estável de energia a preços viáveis. Segurança alimentar é o acesso regular a alimentos suficientes e adequados. Conflitos internacionais ameaçam as duas simultaneamente — e por isso viraram tema recorrente de provas e redações.

Consequências humanitárias

Segundo o relatório Tendências Globais do ACNUR, o mundo encerrou 2025 com 117,8 milhões de pessoas em deslocamento forçado — a primeira queda em uma década, mas ainda um patamar que a ONU classifica como inaceitável. Cerca de 58% dessas pessoas permanecem dentro do próprio país.

Refugiados e deslocados internos

A distinção é jurídica e decisiva. O refugiado cruza uma fronteira internacional e é protegido pela Convenção de 1951. O deslocado interno foge, mas permanece sob a jurisdição do Estado onde ocorre o conflito — muitas vezes o próprio agressor. Em 2025, houve também um movimento expressivo de retornos, sobretudo para Síria, Afeganistão e Sudão, embora frequentemente em condições precárias.

Fome e destruição de cidades

A fome contemporânea raramente decorre de escassez absoluta de alimentos: ela é produzida pelo bloqueio de rotas, pela destruição de plantações e pelo impedimento à entrada de ajuda humanitária. A guerra urbana, por sua vez, destrói hospitais, escolas, redes de água e energia — infraestrutura cuja reconstrução leva décadas.

Crianças, educação e saúde

Crianças são as principais vítimas. Além do risco direto, enfrentam desnutrição, interrupção da escolaridade, recrutamento por grupos armados e trauma psicológico duradouro. Uma geração fora da escola compromete o desenvolvimento de um país por décadas após o fim dos combates.

Direitos humanos e responsabilização

O Direito Internacional Humanitário, baseado nas Convenções de Genebra, estabelece limites à conduta na guerra: proteção a civis, a prisioneiros e a instalações médicas. Tribunais como o Tribunal Penal Internacional investigam crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio, mas esbarram na ausência de força própria para executar decisões e na não adesão de várias potências.

Impactos dos conflitos internacionais para o Brasil

O Brasil não é parte em nenhum desses conflitos, mas sente seus efeitos de forma direta — e essa conexão é uma das mais cobradas em provas.

Combustíveis e inflação

Segundo avaliação do Ministério da Fazenda divulgada em 2026, cada alta de aproximadamente 1% no preço do petróleo tende a acrescentar cerca de 0,02 ponto percentual à inflação brasileira, principalmente pelo encarecimento dos combustíveis. Como a maior parte da carga no Brasil circula por caminhões, o diesel mais caro eleva o frete de praticamente tudo. Análises de mercado estimaram que, com o petróleo estabilizado perto de US$ 100 o barril, a projeção de IPCA para 2026 subiria de patamares próximos a 3,8% para cerca de 5%.

Fertilizantes e agronegócio

O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que consome. Quando esse insumo encarece, sobe o custo de produção de soja, milho e café, com reflexo posterior no preço dos alimentos. É a vulnerabilidade mais estrutural da economia brasileira diante de conflitos distantes.

Exportações, balança comercial e dólar

Há também efeitos favoráveis. Como exportador de petróleo, minério de ferro e alimentos, o Brasil pode se beneficiar da alta das commodities, com ganho na balança comercial e na arrecadação. O resultado líquido é ambíguo: melhora nas contas externas, pressão sobre a inflação doméstica. Em momentos de tensão, a busca global por segurança valoriza o dólar, encarecendo importações e dívidas indexadas à moeda americana.

Política externa

A Constituição Federal estabelece a defesa da paz, a solução pacífica de controvérsias e a não intervenção como princípios das relações internacionais brasileiras. Na prática, o país busca posição de mediador, defende a reforma do Conselho de Segurança da ONU — pleiteando assento permanente — e mantém política reconhecida de acolhimento de refugiados, apontada pelo ACNUR como referência global.

Cai na prova A pegadinha clássica: afirmar que a alta do petróleo é “totalmente ruim” ou “totalmente boa” para o Brasil. A resposta correta quase sempre reconhece o duplo efeito — ganho como exportador, perda como consumidor de derivados e importador de fertilizantes.

🔥 Dica quente para ENEM, vestibulares e concursos militares

Prioridade máxima de estudo

Se o tempo for curto, estude nesta ordem: 1) Oriente Médio (Gaza + Irã + Ormuz); 2) Rússia × Ucrânia; 3) Congo e minerais críticos; 4) Iêmen e Mar Vermelho; 5) Sudão; 6) Mianmar.

Os três primeiros concentram a maior probabilidade de aparecer nas próximas provas, por combinarem atualidade, impacto econômico global e conexão com o currículo de Geografia.

Quais temas costumam ser cobrados

  • Causas estruturais (fronteiras coloniais, recursos, disputa por poder) e não datas isoladas.
  • Consequências humanitárias: refugiados, deslocados internos, fome, apátridas.
  • Efeitos econômicos: petróleo, fertilizantes, rotas marítimas, inflação.
  • Papel e limites das organizações internacionais, com destaque para o veto no Conselho de Segurança.
  • Relação entre transição energética e demanda por minerais críticos.

Quais mapas decorar

  • Mapa dos choke points: Ormuz, Bab el-Mandeb, Suez, Malaca, Panamá, Bósforo.
  • Oriente Médio político, com Israel, Cisjordânia, Faixa de Gaza, Líbano, Irã e Golfo Pérsico.
  • Leste europeu: Ucrânia, Crimeia, Donbass, Mar Negro e Mar de Azov.
  • África: Sudão e Darfur, RDC e a região dos Grandes Lagos.
  • Sudeste Asiático: Mianmar, estreito de Malaca e rotas chinesas para o Índico.

Quais conceitos dominar

Geopolítica, soberania, Estado falido, guerra por procuração, conflito assimétrico, choke point, maldição dos recursos naturais, limpeza étnica, genocídio, apátrida, refugiado × deslocado interno, segurança energética e segurança alimentar.

Relações entre conflitos que valem ouro

As questões mais difíceis pedem conexões. Treine estas: Ucrânia → fertilizantes → preço dos alimentos no Brasil. Congo → cobalto → carro elétrico → contradição da transição energética. Iêmen → Bab el-Mandeb → frete → inflação global. Irã → Ormuz → petróleo → IPCA brasileiro.

Pegadinhas frequentes

  • Confundir Faixa de Gaza com Cisjordânia (territórios separados e distintos).
  • Tratar conflitos como exclusivamente religiosos — quase sempre há disputa material por trás.
  • Afirmar que refugiados e deslocados internos têm o mesmo estatuto jurídico.
  • Dizer que o Canal de Suez é um estreito natural — ele é uma obra artificial, de 1869.
  • Supor que a ONU pode impor a paz sem o aval dos membros permanentes do Conselho de Segurança.
  • Considerar que a guerra da Ucrânia começou em 2022 — a anexação da Crimeia é de 2014.

Recomendações por prova

ENEM

Foque em consequências humanitárias e econômicas e na leitura crítica de textos, mapas e charges. O exame valoriza a relação entre o global e o cotidiano — e cobra postura ética diante de crises humanitárias, o que também rende repertório para a redação.

Fuvest e Unicamp

Exigem profundidade histórica e questões discursivas. Saiba explicar a formação dos Estados envolvidos, o papel do colonialismo e a atuação das potências. Treine escrever análises curtas, articulando causas e consequências.

EsPCEx, ESA, EEAR e EPCAR

Cobrança mais factual e cartográfica. Domine localização exata, nomes de estreitos e canais, siglas de organizações (ONU, OTAN, OPEP, União Europeia, BRICS) e quais potências apoiam quais lados. Questões de múltipla escolha com afirmativas (I, II, III) são o formato dominante — treine eliminar alternativas por detalhes geográficos.

10 questões comentadas sobre conflitos internacionais

Questões inéditas, elaboradas no estilo do ENEM, de vestibulares e de concursos militares. Tente responder antes de abrir o gabarito.

Questão 1Estilo ENEM

A guerra entre Rússia e Ucrânia provocou, já em 2022, forte elevação nos preços mundiais de fertilizantes nitrogenados e potássicos. O Brasil, que importa a maior parte dos fertilizantes que consome, sentiu o impacto de forma quase imediata na formação de custos do agronegócio.

A vulnerabilidade brasileira descrita no texto decorre principalmente da

  1. a) autossuficiência na produção de insumos agrícolas.
  2. b) dependência externa de insumos estratégicos para a produção agrícola.
  3. c) adoção de práticas agroecológicas em larga escala no país.
  4. d) redução da área plantada de commodities no território nacional.
  5. e) substituição dos fertilizantes minerais por adubação orgânica.
Ver resposta comentada

Gabarito: B

O Brasil é uma potência agrícola, mas importa a maior parte dos fertilizantes que utiliza. Essa dependência externa transforma qualquer choque geopolítico em pressão direta sobre o custo de produção do agronegócio — e, na sequência, sobre o preço dos alimentos.

Questão 2Estilo ENEM

A República Democrática do Congo é o maior produtor mundial de cobalto e um dos principais fornecedores de coltan, minerais indispensáveis para baterias, smartphones e equipamentos eletrônicos. Ainda assim, é um dos países com menores índices de desenvolvimento humano do planeta, e o leste do território é palco de disputas armadas por áreas de mineração.

A contradição apresentada no texto é conhecida na Geografia como

  1. a) bônus demográfico.
  2. b) transição energética.
  3. c) maldição dos recursos naturais.
  4. d) desindustrialização precoce.
  5. e) especialização produtiva flexível.
Ver resposta comentada

Gabarito: C

A “maldição dos recursos naturais” (ou paradoxo da abundância) descreve países ricos em recursos estratégicos que, em vez de se desenvolverem, enfrentam conflitos, corrupção e dependência externa — exatamente o caso congolês.

Questão 3Estilo EsPCEx

O estreito de Bab el-Mandeb e o estreito de Ormuz são frequentemente citados em análises de segurança energética global.

Esses dois pontos do território marítimo são classificados como

  1. a) zonas econômicas exclusivas.
  2. b) pontos de estrangulamento (choke points) do comércio mundial.
  3. c) áreas internacionais sob administração direta da ONU.
  4. d) fronteiras naturais entre placas tectônicas.
  5. e) canais artificiais construídos no século XIX.
Ver resposta comentada

Gabarito: B

Choke points são passagens marítimas estreitas e estratégicas por onde circula parcela expressiva do comércio mundial. Ormuz e Bab el-Mandeb são dois dos mais sensíveis do planeta — bloqueá-los afeta imediatamente os preços globais de energia. Atenção à pegadinha: o Canal de Suez é artificial; os estreitos citados são naturais.

Questão 4Estilo Vestibular

Na guerra civil sudanesa, iniciada em abril de 2023, os combates opõem as Forças Armadas do Sudão às Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar herdeiro das milícias Janjaweed. Em Darfur, os ataques têm atingido de forma seletiva comunidades como os Zaghawa e os Fur.

A seletividade descrita caracteriza o conflito sudanês também como

  1. a) uma guerra de secessão com fronteiras já definidas.
  2. b) um conflito puramente religioso entre cristãos e muçulmanos.
  3. c) uma disputa exclusivamente por recursos hídricos transfronteiriços.
  4. d) um conflito com dimensão étnica e alvos civis definidos por identidade.
  5. e) uma intervenção humanitária autorizada pelo Conselho de Segurança.
Ver resposta comentada

Gabarito: D

Quando a violência é direcionada a grupos específicos por sua identidade étnica, o conflito adquire dimensão étnica — e pode configurar limpeza étnica ou genocídio. Cuidado com a alternativa (b): a maioria da população sudanesa é muçulmana, então a clivagem principal em Darfur é étnica, não religiosa.

Questão 5Estilo ENEM

Desde o golpe militar de fevereiro de 2021, Mianmar vive uma guerra civil que combina a resistência pró-democracia a insurgências étnicas históricas. Estimativas indicam que a junta militar controla pouco mais de um quinto do território nacional.

A situação descrita evidencia o enfraquecimento de um atributo essencial do Estado moderno, a saber, a

  1. a) soberania efetiva sobre o território.
  2. b) identidade cultural homogênea.
  3. c) integração aos blocos econômicos regionais.
  4. d) autossuficiência energética nacional.
  5. e) representação diplomática no exterior.
Ver resposta comentada

Gabarito: A

Soberania pressupõe o controle efetivo do território e o monopólio legítimo da força. Um governo que administra apenas parte do país e disputa o restante com forças armadas rivais exerce soberania apenas nominal — conceito central para entender “Estados falidos”.

Questão 6Estilo Vestibular

Analistas apontam que o conflito no leste da República Democrática do Congo tem raízes que remontam ao genocídio ocorrido em Ruanda, em 1994, quando o deslocamento massivo de populações através da fronteira reconfigurou as tensões regionais.

O texto permite concluir que os conflitos africanos contemporâneos frequentemente

  1. a) resultam apenas de rivalidades pessoais entre líderes militares.
  2. b) ultrapassam fronteiras nacionais, assumindo caráter regional e transfronteiriço.
  3. c) são resolvidos rapidamente por acordos entre países vizinhos.
  4. d) independem do traçado das fronteiras herdadas do período colonial.
  5. e) têm origem exclusivamente em desastres ambientais recentes.
Ver resposta comentada

Gabarito: B

As fronteiras africanas, traçadas na Conferência de Berlim (1884-1885) sem considerar territórios étnicos, dividiram povos e uniram grupos rivais. Por isso, crises internas transbordam para os países vizinhos — o caso Ruanda-RDC é o exemplo clássico.

Questão 7Estilo EsPCEx

Os Houthis, movimento armado com base no Iêmen, ampliaram desde 2023 os ataques a embarcações no Mar Vermelho, provocando desvios de rota de navios que passariam pelo Canal de Suez.

O principal efeito econômico global desse tipo de ação é o(a)

  1. a) redução dos custos de frete pela menor demanda por seguros.
  2. b) aumento do tempo de viagem e dos custos logísticos pela rota alternativa do Cabo da Boa Esperança.
  3. c) fechamento definitivo do Canal do Panamá.
  4. d) eliminação das rotas marítimas entre Ásia e Europa.
  5. e) valorização imediata das moedas dos países africanos.
Ver resposta comentada

Gabarito: B

Ao evitar o Mar Vermelho, os navios contornam a África pelo Cabo da Boa Esperança, acrescentando milhares de quilômetros e vários dias à viagem. Isso eleva frete, combustível e seguro — custos repassados ao preço final das mercadorias.

Questão 8Estilo ENEM

Ao longo de 2026, a elevação do preço internacional do barril de petróleo levou o governo brasileiro a adotar medidas tributárias tanto para conter o repasse aos combustíveis quanto para capturar parte da receita extraordinária das exportações de óleo cru.

A situação descrita evidencia que, para um país exportador de petróleo como o Brasil, uma alta acentuada dos preços internacionais tende a produzir efeitos

  1. a) exclusivamente negativos, pois encarece toda a cadeia produtiva.
  2. b) exclusivamente positivos, pois amplia as receitas de exportação.
  3. c) ambíguos, favorecendo a balança comercial e a arrecadação, mas pressionando a inflação interna.
  4. d) nulos, pois o país é autossuficiente em todos os derivados.
  5. e) restritos ao setor industrial, sem alcançar o consumidor final.
Ver resposta comentada

Gabarito: C

Esta é a análise mais cobrada em provas. O Brasil exporta petróleo bruto (ganha com a alta) mas importa derivados e depende do diesel no transporte (perde com a alta). O resultado é ambíguo: melhora balança comercial e arrecadação, mas pressiona a inflação.

Questão 9Estilo Vestibular

Relatórios de agências humanitárias sobre os conflitos contemporâneos costumam distinguir “refugiados” de “deslocados internos”. Segundo a ONU, a maior parte das pessoas forçadas a deixar suas casas no mundo permanece dentro das fronteiras do próprio país.

A distinção apresentada é relevante porque os deslocados internos

  1. a) recebem automaticamente o estatuto de refugiado previsto na Convenção de 1951.
  2. b) não cruzam fronteiras internacionais e, por isso, não são amparados pelo mesmo regime jurídico dos refugiados.
  3. c) têm garantido o direito de reassentamento em terceiros países.
  4. d) perdem a nacionalidade de origem ao se deslocarem.
  5. e) estão sempre sob administração direta do Conselho de Segurança da ONU.
Ver resposta comentada

Gabarito: B

O refugiado cruza uma fronteira internacional e é protegido pela Convenção de 1951; o deslocado interno permanece no próprio país e depende do Estado que muitas vezes é parte no conflito. Essa diferença jurídica é uma pegadinha recorrente em provas.

Questão 10Estilo ENEM

A guerra entre Rússia e Ucrânia alterou de forma estrutural o mercado europeu de energia, levando países da União Europeia a buscar novos fornecedores de gás natural e a acelerar investimentos em fontes renováveis.

O processo descrito é mais bem caracterizado como uma estratégia de

  1. a) autarquia econômica com fechamento total do mercado.
  2. b) diversificação da matriz e das fontes de suprimento, visando à segurança energética.
  3. c) desindustrialização planejada do continente europeu.
  4. d) retorno integral ao uso do carvão mineral como base energética.
  5. e) abandono imediato de todas as fontes fósseis.
Ver resposta comentada

Gabarito: B

Segurança energética é a capacidade de garantir suprimento estável a preços viáveis. Ao reduzir a dependência de um único fornecedor, a Europa diversifica origens e fontes — a resposta clássica a um choque geopolítico de energia.

Perguntas frequentes sobre conflitos internacionais

Quantas guerras existem no mundo atualmente?

Não há um número único, porque depende do critério adotado. O Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala (UCDP), referência acadêmica na área, registrou 75 conflitos armados ativos em 2025 — o maior número desde 1946. A maior parte são conflitos internos com participação estrangeira, e não guerras clássicas entre dois Estados.

Qual é a maior guerra do mundo atualmente?

Em escala de forças militares empenhadas e impacto geopolítico, a guerra entre Rússia e Ucrânia é a maior — é o maior conflito convencional na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Já em escala de sofrimento humano e deslocamento, o Sudão é hoje classificado pela ONU como a maior crise humanitária do planeta.

Quais países estão em guerra em 2026?

Entre os principais focos estão Ucrânia (invadida pela Rússia), Faixa de Gaza e Cisjordânia, Sudão, República Democrática do Congo, Mianmar e Iêmen. Em 2026 somou-se a esse quadro o confronto direto entre Estados Unidos e Irã, com desdobramentos em vários países do Golfo Pérsico.

Qual conflito é mais cobrado no ENEM?

Historicamente, os conflitos do Oriente Médio — especialmente a questão israelo-palestina — e a guerra na Ucrânia. O ENEM raramente pede datas ou nomes de batalhas: cobra causas estruturais, consequências humanitárias e impactos econômicos, geralmente a partir de textos, mapas ou charges.

Qual conflito envolve minerais estratégicos?

O da República Democrática do Congo é o exemplo mais direto. O país é o maior produtor mundial de cobalto e um dos maiores de coltan — minerais essenciais para baterias e eletrônicos. O controle de áreas de mineração no leste congolês é uma das principais fontes de financiamento dos grupos armados.

Qual guerra influencia o preço do petróleo?

Os conflitos no Oriente Médio, sobretudo por causa do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. Em 2026, a escalada entre Estados Unidos e Irã levou o barril de Brent a ultrapassar US$ 120 em alguns momentos.

Qual guerra influencia o preço dos fertilizantes?

A guerra na Ucrânia teve o efeito mais direto, porque Rússia e Belarus estão entre os maiores exportadores mundiais de fertilizantes potássicos e nitrogenados. Os conflitos no Oriente Médio também afetam esse mercado, já que a produção de fertilizantes nitrogenados depende de gás natural.

O Brasil participa de algum conflito armado?

Não. O Brasil não é parte beligerante em nenhum dos conflitos atuais. A Constituição Federal estabelece a defesa da paz e a solução pacífica de controvérsias como princípios das relações internacionais. A participação brasileira se dá pela diplomacia, pela ajuda humanitária, pelo acolhimento de refugiados e por missões de paz da ONU.

Qual conflito gera mais refugiados e deslocados?

O Sudão lidera hoje em número de deslocados internos, seguido de perto por Ucrânia, Síria e Mianmar. Segundo o ACNUR, o mundo fechou 2025 com 117,8 milhões de pessoas em deslocamento forçado — a primeira queda em uma década, mas ainda um patamar considerado inaceitável pela ONU.

Qual a diferença entre refugiado e deslocado interno?

O refugiado cruza uma fronteira internacional fugindo de perseguição ou conflito e é protegido pela Convenção de 1951. O deslocado interno foge, mas permanece dentro do próprio país — e, por isso, continua sob a jurisdição do Estado que, muitas vezes, é parte no conflito. A maioria das pessoas deslocadas no mundo é de deslocados internos.

O que é um choke point e por que ele importa?

É um ponto de estrangulamento: uma passagem marítima estreita por onde circula grande volume do comércio mundial. Os principais são os estreitos de Ormuz, Bab el-Mandeb, Malaca e Bósforo, além dos canais de Suez e do Panamá. Bloquear um deles encarece imediatamente fretes, seguros e commodities.

Por que o Oriente Médio concentra tantos conflitos?

Por uma combinação de fatores: localização estratégica entre três continentes, enormes reservas de petróleo e gás, fronteiras traçadas por potências europeias após a Primeira Guerra Mundial sem respeitar identidades locais, disputas por água, mosaico étnico-religioso e forte interferência de potências externas.

O que é a questão palestina?

É a disputa por território e soberania entre israelenses e palestinos, cujas raízes contemporâneas remontam ao Mandato Britânico e ao Plano de Partilha da ONU de 1947. Envolve o reconhecimento de um Estado palestino, o estatuto de Jerusalém, os assentamentos na Cisjordânia, o direito de retorno dos refugiados e a situação da Faixa de Gaza.

O que foi o ataque de 7 de outubro de 2023?

Foi uma ofensiva do Hamas contra o sul de Israel que matou cerca de 1.200 pessoas e resultou na captura de 251 reféns. O episódio desencadeou a ofensiva israelense sobre a Faixa de Gaza, que se tornou o conflito mais letal da história recente da região.

O que é o M23 e por que ele atua no Congo?

O Movimento 23 de Março é um grupo armado formado majoritariamente por combatentes de origem tutsi, criado em 2012 e reativado em 2021. Alega defender minorias, mas relatórios da ONU apontam apoio militar de Ruanda e financiamento por meio do controle de minas de coltan no leste congolês.

Quem são os Houthis?

São um movimento armado do norte do Iêmen, de orientação zaidita (ramo do islamismo xiita), que controla a capital Saná desde 2014. Alinhados ao Irã, tornaram-se atores centrais na segurança marítima do Mar Vermelho a partir dos ataques a embarcações iniciados em 2023.

O que aconteceu em El Fasher, no Sudão?

El Fasher, capital do Darfur do Norte, foi tomada pelas Forças de Apoio Rápido em outubro de 2025, após cerca de 18 meses de cerco. Uma missão independente da ONU concluiu que os crimes cometidos apresentam “características de genocídio”, e a Anistia Internacional documentou crimes contra a humanidade e limpeza étnica.

Por que a guerra em Mianmar é pouco noticiada?

Por uma combinação de restrições de acesso à imprensa, dificuldade de comunicação com áreas de conflito e menor peso do país nas cadeias globais de energia e alimentos. Isso não reduz sua gravidade: são cerca de 90 mil mortos e 3,6 milhões de deslocados desde o golpe de 2021.

Como os conflitos afetam a inflação no Brasil?

Principalmente por três canais: o preço do petróleo (que encarece diesel, gasolina e fretes), o preço dos fertilizantes (que eleva o custo dos alimentos) e o câmbio (a busca por ativos seguros costuma valorizar o dólar). Segundo o Ministério da Fazenda, cada alta de cerca de 1% no petróleo tende a acrescentar aproximadamente 0,02 ponto percentual à inflação.

O que a ONU pode fazer para parar uma guerra?

A ONU pode mediar negociações, aprovar sanções, autorizar missões de paz e acionar tribunais internacionais. Sua principal limitação é institucional: o Conselho de Segurança só age com o aval dos cinco membros permanentes (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França), e qualquer um deles pode vetar uma resolução — inclusive quando é parte interessada no conflito.

Estudar conflitos internacionais cai em concursos militares?

Sim, e com peso alto. EsPCEx, ESA, EEAR e EsPCEx cobram geopolítica de forma recorrente, com ênfase em rotas estratégicas, recursos naturais, blocos de poder e organizações internacionais. As provas militares tendem a ser mais factuais e a exigir localização precisa no mapa.

Conclusão: por que a geopolítica explica o mundo

Estudar conflitos internacionais não é memorizar tragédias distantes. É compreender como território, poder e recursos se articulam para produzir o mundo em que vivemos — o preço do combustível, o custo da comida, as migrações que redesenham cidades, as tecnologias que carregamos no bolso.

Os seis conflitos deste guia revelam um padrão: quase todos combinam disputa por recursos estratégicos, fronteiras herdadas de processos coloniais, identidades mobilizadas politicamente e interferência de potências externas. Entender esse padrão é o que permite analisar um conflito novo — inclusive um que ainda não existia quando você estudou.

Para o estudante, esse repertório vale pontos em Geografia, História, Sociologia e na redação. Para o professor, é um tema que conecta o currículo à vida real e desperta o interesse da turma como poucos. E para qualquer cidadão, é a diferença entre consumir manchetes e compreender o mundo.

Referências e fontes consultadas

Este guia foi elaborado a partir de organismos internacionais, organizações humanitárias e centros de pesquisa reconhecidos. Recomendamos a consulta direta para aprofundamento e atualização:

Observação metodológica: estimativas de mortes e deslocados em zonas de guerra variam conforme a fonte e a metodologia. Sempre que houver divergência relevante entre estimativas, ela está sinalizada ao longo do texto. Conteúdo revisado em julho de 2026.

plugins premium WordPress