Geopolítica · Atualidades · ENEM e concursos

Principais conflitos do mundo em 2026: as 6 guerras mais importantes explicadas

Ucrânia, Gaza, Sudão, Congo, Mianmar e Iêmen: causas, atores, recursos em disputa e consequências — com mapas, dica quente e um simulado de 15 questões com gabarito comentado para o ENEM, os vestibulares e os concursos militares.

6 conflitosOs mais importantes de 2026
75Guerras ativas em 2025 (UCDP), recorde desde 1946
117,8 miEm deslocamento forçado (ACNUR)
15 questõesComentadas, com nota
Mapa das principais guerras e conflitos atuais no mundo

O mundo vive hoje o maior número de conflitos armados desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Segundo o Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala (UCDP), 2025 fechou com 75 guerras ativas — recorde desde 1946. Entender as guerras atuais define o preço do combustível, o custo dos alimentos e o conteúdo que cai no ENEM e nos concursos.

Este guia reúne os 6 principais conflitos internacionais de 2026: Ucrânia, Faixa de Gaza, Sudão, República Democrática do Congo, Mianmar e Iêmen — com localização, causas, atores, recursos em disputa, situação atual e, sobretudo, como o tema cai nas provas.

🌍 Por que existem guerras?

Nenhuma guerra tem causa única. A Geografia Política mostra que os conflitos nascem do encontro entre disputas materiais (território, recursos, rotas) e disputas simbólicas (identidade étnica, religião, projeto nacional), mediadas por estruturas de poder — quem tem armas, aliados e controle do Estado. Reduzir um conflito a "ódio antigo entre povos" é o erro que as provas costumam desmontar: por trás de quase todo conflito há questões concretas — quem controla um porto, uma jazida de cobalto, uma rota de gás.

Conceito-chave — Geopolítica: estudo das relações entre poder político e espaço geográfico (termo cunhado em 1899 por Rudolf Kjellén). Investiga como território, recursos e posição influenciam as decisões dos Estados — e como essas decisões transformam o espaço. Quem entende geopolítica não decora: relaciona — e é essa a competência que o ENEM avalia.

💡 Você sabia? O Conselho de Segurança da ONU tem 15 membros, mas apenas cinco são permanentes e têm poder de veto — estrutura de 1945 que reflete o mundo do pós-guerra, não o de hoje.

📖 O que é um conflito internacional?

É a disputa entre dois ou mais atores — Estados, grupos armados, organizações — que envolve o uso ou a ameaça de força e ultrapassa, em causas ou efeitos, as fronteiras de um único país. Três termos que as provas adoram confundir:

  • Guerra interestatal: opõe dois ou mais Estados soberanos. Ex.: Rússia × Ucrânia.
  • Guerra civil: dentro de um país, entre governo e grupos internos ou entre facções. Ex.: Sudão, Mianmar.
  • Conflito internacionalizado: guerra civil na qual potências estrangeiras intervêm. É o formato mais comum hoje — RDC e Iêmen.
Cai na prova: a maior parte dos conflitos atuais não é guerra clássica entre dois exércitos nacionais, e sim conflito interno com participação externa — mais longo, mais difícil de negociar e mais letal para civis. Se uma alternativa disser que "predominam as guerras entre Estados", desconfie.
Guerra por procuração (proxy war): potências rivais apoiam lados opostos de um conflito local sem se enfrentarem diretamente. O Iêmen é o exemplo clássico — Arábia Saudita e Irã sustentam forças adversárias sem declarar guerra entre si.

⚙️ Como surgem as guerras: os cinco motores

  1. Território e fronteiras: fronteiras impostas de fora geram instabilidade. Na África, o traçado da Conferência de Berlim (1884-1885) dividiu povos e reuniu rivais sob um mesmo Estado.
  2. Recursos naturais: petróleo, gás, água, minerais e terras financiam guerras. Quem controla uma mina ganha receita para armas — e o conflito se autoalimenta.
  3. Identidade étnica e religiosa: raramente é a causa original, mas costuma ser o combustível para mobilizar apoio e desumanizar o adversário.
  4. Disputa pelo poder do Estado: golpes e crises de sucessão abrem guerras civis (Mianmar, 2021; Sudão, 2023).
  5. Interesses de potências externas: EUA, China, Rússia, UE e potências regionais projetam poder por armas, sanções e diplomacia. Nenhum dos seis conflitos é puramente local.
Conceito-chave — Maldição dos recursos naturais: países muito ricos em recursos estratégicos frequentemente têm pior desempenho em desenvolvimento humano (concentração de renda, corrupção, dependência, conflitos pelas jazidas). A RDC é o exemplo mais estudado.

🗺️ Mapa dos principais conflitos

Uma leitura cartográfica revela um padrão: os conflitos atuais se concentram numa faixa que vai da Europa Oriental ao Sudeste Asiático, passando pelo Oriente Médio e pelo Sahel africano — justamente onde estão as reservas de energia e minerais e as rotas marítimas mais movimentadas.

Mapa dos principais conflitos atuais na Ásia
Principais conflitos atuais na Ásia. 🔍 clique para ampliar
Cai na prova — choke points: decore Ormuz (Irã–Omã, saída do Golfo Pérsico), Bab el-Mandeb (Iêmen–Djibuti, entrada sul do Mar Vermelho), Suez (Egito) e Malaca (Malásia–Indonésia). Três dos seis conflitos deste guia estão adjacentes a um desses pontos.

💡 Você sabia? O estreito de Ormuz tem cerca de 33 km de largura no ponto mais estreito — e por ali passa aproximadamente um quinto do petróleo consumido no mundo.

1️⃣ Rússia × Ucrânia

InícioFev/2014 · escalada em 2022
TipoGuerra interestatal
RegiãoEuropa Oriental
Em disputaTerritório, grãos, energia

A Ucrânia ocupa posição estratégica entre a Rússia e a Europa Central, com litoral no Mar Negro e no Mar de Azov. Os combates concentram-se no leste (bacia do Donbass — Donetsk e Lugansk) e no sul, rumo à Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014.

O conflito não começou em 2022: em 2014, após protestos que derrubaram um presidente alinhado a Moscou, a Rússia anexou a Crimeia e apoiou separatistas no Donbass. As causas combinam a resistência russa à expansão da OTAN a leste, a disputa sobre a orientação geopolítica da Ucrânia (UE ou esfera russa), o valor econômico do território e a leitura histórica do Kremlin sobre os povos eslavos. Do outro lado, a Ucrânia é sustentada por apoio militar e financeiro da OTAN e da UE.

A Ucrânia é o "celeiro da Europa" (trigo, milho, óleo de girassol); o leste concentra carvão, ferro e indústria pesada, e o Mar Negro dá acesso às rotas de exportação de grãos. Em 2026, a guerra se consolidou como conflito de atrito: avanços lentos, uso massivo de drones e ataques a infraestrutura energética dos dois lados.

Como ler os números: dados de guerra têm margem de incerteza. A ONU verificou mais de 16 mil mortes de civis desde 2022 (número que considera subestimado). Baixas militares totais foram estimadas na casa do milhão por centros de estudos — estimativas variam muito conforme a fonte e devem ser citadas com a fonte.
O que lembrar: Ucrânia = grãos + energia + posição estratégica. A guerra começou em 2014 (Crimeia), não em 2022. Efeito global mais cobrado: alta de alimentos e fertilizantes.

2️⃣ Israel × Hamas: Gaza, Cisjordânia e o Oriente Médio

EscaladaOut/2023
TipoAssimétrico + regional
RegiãoOriente Médio
Em disputaTerritório e soberania

A Faixa de Gaza é uma estreita área costeira (~365 km²) no Mediterrâneo oriental, entre Israel e o Egito, uma das mais densamente povoadas do mundo. A Cisjordânia, separada de Gaza, fica a oeste do rio Jordão. As raízes contemporâneas remontam ao fim do Império Otomano, ao Mandato Britânico e ao Plano de Partilha da ONU de 1947. Permanecem sem solução: o estatuto de Jerusalém, os assentamentos, o direito de retorno dos refugiados e a viabilidade de um Estado palestino.

Em 7 de outubro de 2023, um ataque liderado pelo Hamas contra o sul de Israel matou cerca de 1.200 pessoas e resultou na captura de 251 reféns. A ofensiva israelense sobre Gaza tornou-se a mais letal da história do conflito. Vigora desde o fim de 2025 um cessar-fogo frágil, com violações registradas e reconstrução ainda mal iniciada.

O conflito nunca foi apenas bilateral: o Irã apoia o Hamas, o Hezbollah (Líbano) e os Houthis (Iêmen) — rede chamada de "eixo da resistência". Em 2026, a tensão escalou para confronto direto entre EUA e Irã, com o estreito de Ormuz no centro da disputa.

Conceito-chave — Conflito assimétrico: opõe um Estado com forças convencionais a um grupo armado não estatal, com táticas irregulares. Dificulta a distinção entre combatentes e civis — ponto central do debate sobre direito internacional humanitário.
O que lembrar: Gaza ≠ Cisjordânia (territórios separados). O conflito é territorial e político, não apenas religioso. A dimensão regional passa por Irã, Hezbollah e Houthis.

3️⃣ Sudão: a maior crise humanitária do mundo

InícioAbril/2023
TipoGuerra civil internacionalizada
RegiãoNordeste da África
Em disputaPoder, ouro, terras
Mapa do Sudão, com Darfur no oeste e o litoral do Mar Vermelho
O Sudão, entre o Sahel e o Mar Vermelho, com Darfur no oeste. 🔍 clique para ampliar

O Sudão ocupa posição estratégica entre o Sahel e o Mar Vermelho. A guerra atual eclodiu em abril de 2023, quando ruiu a aliança entre dois generais: as Forças Armadas do Sudão (SAF), de al-Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar de "Hemedti", herdeiro das milícias Janjaweed de Darfur. O estopim foi a disputa sobre a integração das RSF ao exército numa transição democrática que não se completou.

Em outubro de 2025, as RSF tomaram El Fasher, capital de Darfur do Norte, após meses de cerco. Uma missão independente da ONU concluiu que os crimes ali têm "características de genocídio", com ataques dirigidos às comunidades Zaghawa e Fur. O país possui ouro (financiamento das RSF), terras férteis no Nilo e litoral valioso no Mar Vermelho. Tornou-se a maior crise de deslocamento do planeta, com fome declarada em várias regiões.

Mapa do Sudão do Sul, que se separou do Sudão em 2011
O Sudão do Sul separou-se do Sudão em 2011 e é o país mais jovem reconhecido pela ONU. 🔍 clique para ampliar
O que lembrar: SAF (exército) × RSF (paramilitares, ex-Janjaweed). Início: abril de 2023. Darfur concentra a violência étnica. Hoje é a maior crise humanitária do mundo.

4️⃣ República Democrática do Congo: a guerra dos minerais

OrigemAnos 1990 · reativado em 2021
TipoConflito internacionalizado
RegiãoÁfrica Central
Em disputaColtan, cobalto, ouro

O conflito concentra-se no leste, nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, na fronteira com Ruanda e Uganda. As raízes remontam ao genocídio de Ruanda (1994), que transferiu tensões para o território congolês. Desde então, mais de cem grupos armados operam na região; o mais poderoso é o M23, formado majoritariamente por combatentes tutsis, reativado em 2021 — com apoio militar atribuído a Ruanda pela ONU (apoio que Ruanda nega).

A RDC é o maior produtor mundial de cobalto (baterias de íon-lítio) e um dos maiores de coltan (tântalo para eletrônicos), além de cobre, ouro, lítio e terras raras. O controle das minas — como a de Rubaya, sob o M23 — financia os grupos armados, o que transforma a mineração em objetivo militar.

Cai na prova: a conexão mais cobrada é transição energética → demanda por cobalto e lítio → pressão sobre o Congo. O carro elétrico, símbolo de sustentabilidade no Norte, depende de uma cadeia que sustenta conflito armado no Sul — contradição prato cheio para ENEM e redação.
O que lembrar: RDC = maior produtor mundial de cobalto + grande produtor de coltan. Grupo principal: M23, com apoio atribuído a Ruanda. Raiz: genocídio de Ruanda (1994).

💡 Você sabia? A China responde por cerca de 70% da mineração global de terras raras e por cerca de 90% do processamento — o que transforma minerais críticos em instrumento de poder.

5️⃣ Mianmar: a guerra civil esquecida do Sudeste Asiático

InícioGolpe de Fev/2021
TipoGuerra civil
RegiãoSudeste Asiático
Em disputaPoder estatal e autonomia étnica

Mianmar faz fronteira com China, Índia, Tailândia, Laos e Bangladesh, com litoral no Índico. Sua posição oferece à China uma saída para o Índico que contorna o estreito de Malaca — daí os investimentos chineses em oleodutos e no porto de Kyaukphyu. Em 1º de fevereiro de 2021, os militares deram um golpe de Estado, derrubando o governo eleito. A repressão transformou o movimento pró-democracia em insurgência armada (as PDF), aliada a organizações étnicas históricas.

A junta organizou eleições entre o fim de 2025 e o início de 2026, consideradas sem legitimidade pela ONU. Análises de campo indicam que ela controla pouco mais de um quinto do território. Mianmar é um mosaico com mais de 130 grupos étnicos; entre eles, os rohingya, minoria muçulmana de Rakhine, alvo de perseguição sistemática e hoje o maior grupo de apátridas do mundo.

Os rohingya, minoria muçulmana do estado de Rakhine, em Mianmar
Os rohingya, minoria muçulmana de Rakhine, formam o maior grupo apátrida do mundo. 🔍 clique para ampliar
O que lembrar: golpe militar em fevereiro de 2021. Rohingya = maior grupo apátrida do mundo. Importância estratégica: saída chinesa para o Índico, contornando Malaca.

6️⃣ Iêmen: os Houthis, o Mar Vermelho e o comércio mundial

Início2014
TipoGuerra por procuração
RegiãoPenínsula Arábica
Em disputaPoder e rota marítima

O Iêmen controla a margem oriental do estreito de Bab el-Mandeb — a entrada sul do Mar Vermelho, caminho obrigatório para os navios que seguem ao Canal de Suez. Em 2014, o movimento Houthi (zaidita, ramo do islamismo xiita) tomou a capital Saná; em 2015, uma coalizão liderada pela Arábia Saudita interveio. Configurou-se uma clássica guerra por procuração: Arábia Saudita (sunita) × Irã (xiita, apoiando os Houthis), sem confronto direto entre as duas potências.

Desde o fim de 2023, os Houthis atacam embarcações no Mar Vermelho, levando armadores a desviar navios para a rota do Cabo da Boa Esperança — o que alonga viagens e eleva fretes e seguros. O país acumula uma das piores crises humanitárias do mundo, com milhões dependentes de ajuda alimentar.

O que lembrar: Houthis (apoio iraniano) × governo apoiado pela Arábia Saudita = guerra por procuração. Ponto-chave: Bab el-Mandeb, porta de entrada do Mar Vermelho e do Canal de Suez.

💡 Você sabia? A rota alternativa ao Mar Vermelho, contornando o Cabo da Boa Esperança, pode acrescentar de 10 a 14 dias à viagem entre a Ásia e a Europa.

📊 Tabela comparativa dos 6 conflitos

As estimativas variam conforme a fonte e a metodologia; os valores abaixo são ordens de grandeza consolidadas por organismos internacionais até meados de 2026.

ConflitoInícioPrincipais gruposInteressesParticipação externaSituação em 2026
Rússia × Ucrânia2014 / 2022Forças da Rússia e da UcrâniaGrãos, energia, Mar NegroOTAN e UE apoiam a UcrâniaGuerra de atrito
Israel × HamasOut/2023 (raízes em 1948)Forças israelenses, Hamas, HezbollahTerritório, segurança regionalEUA, Irã, Egito, CatarCessar-fogo frágil
SudãoAbr/2023SAF × RSFOuro, terras, Mar VermelhoPotências do Golfo, EgitoRisco de fragmentação
Rep. Dem. do CongoAnos 1990 / 2021M23, forças congolesas, +100 milíciasCobalto, coltan, ouro, lítioRuanda, EUA, ChinaAcordos contestados
MianmarFev/2021Junta militar, PDF, exércitos étnicosGás, jade, terras rarasChina, Rússia, ASEANJunta controla ~21%
Iêmen2014Houthis × coalizão sauditaRota de Bab el-MandebArábia Saudita, IrãAtaques à navegação

🕰️ Linha do tempo (2014–2026)

  • 2014 Rússia anexa a Crimeia e começa a guerra no Donbass. No Iêmen, os Houthis tomam Saná.
  • 2021 Golpe militar em Mianmar (fevereiro). O M23 é reativado no leste do Congo.
  • 2022 Invasão russa em larga escala da Ucrânia. Energia, trigo e fertilizantes disparam no mundo.
  • 2023 Guerra civil no Sudão (abril). Ataque do Hamas a Israel em 7/10 desencadeia a ofensiva sobre Gaza. Houthis atacam navios no Mar Vermelho.
  • 2025 M23 toma Goma e Bukavu. RSF conquistam El Fasher. Cessar-fogo em Gaza. UCDP registra 75 conflitos ativos, recorde desde 1946.
  • 2026 Confronto direto entre EUA e Irã, com crise em Ormuz e alta do petróleo. Eleições contestadas em Mianmar. Missão da ONU aponta "características de genocídio" em El Fasher.

💹 Consequências econômicas globais

Conflitos se propagam pela economia mundial por preços, rotas e expectativas. O estreito de Ormuz concentra cerca de 20% do petróleo comercializado; em momentos de tensão em 2026, o Brent ultrapassou US$ 120. Rússia e Belarus estão entre os maiores exportadores de fertilizantes, cuja produção nitrogenada depende de gás natural — de modo que a alta da energia chega ao adubo e ao preço dos alimentos. Cerca de 80% do comércio mundial em volume viaja por mar: quando o Mar Vermelho fica perigoso, os navios contornam a África, elevando fretes e seguros. A soma disso produz inflação global e fuga para ativos seguros (dólar e ouro).

Conceito-chave: segurança energética é garantir fornecimento estável de energia a preços viáveis; segurança alimentar é o acesso regular a alimentos suficientes. Conflitos ameaçam as duas ao mesmo tempo.

🕊️ Consequências humanitárias

Segundo o ACNUR, o mundo encerrou 2025 com 117,8 milhões de pessoas em deslocamento forçado — a primeira queda em uma década, mas ainda um patamar considerado inaceitável; cerca de 58% permanecem dentro do próprio país. A distinção é decisiva: o refugiado cruza uma fronteira internacional e é protegido pela Convenção de 1951; o deslocado interno foge, mas permanece sob a jurisdição do Estado onde ocorre o conflito — muitas vezes o próprio agressor.

A fome contemporânea raramente decorre de escassez absoluta: é produzida pelo bloqueio de rotas, pela destruição de plantações e pelo impedimento à ajuda humanitária. A guerra urbana destrói hospitais, escolas e redes de água e energia. As crianças são as principais vítimas — desnutrição, interrupção escolar, recrutamento e trauma. O Direito Internacional Humanitário (Convenções de Genebra) tenta limitar a conduta na guerra, e tribunais como o TPI investigam crimes, mas esbarram na falta de força para executar decisões.

🇧🇷 Impactos dos conflitos para o Brasil

O Brasil não é parte em nenhum desses conflitos, mas sente seus efeitos. Segundo o Ministério da Fazenda (2026), cada alta de ~1% no petróleo tende a acrescentar cerca de 0,02 ponto percentual à inflação, principalmente pelo diesel — que encarece o frete de quase tudo. O país importa a maior parte dos fertilizantes que consome, o que eleva o custo de soja, milho e café. Como exportador de petróleo, minério e alimentos, o Brasil também pode ganhar com a alta das commodities: o resultado é ambíguo — melhora nas contas externas, pressão na inflação interna. A Constituição estabelece a defesa da paz e a não intervenção; o país busca papel de mediador e a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Cai na prova: a pegadinha clássica é dizer que a alta do petróleo é "totalmente ruim" ou "totalmente boa" para o Brasil. A resposta correta quase sempre reconhece o duplo efeito — ganho como exportador, perda como consumidor de derivados e importador de fertilizantes.

🔥 Dica quente para as provas

Prioridade de estudo: 1) Oriente Médio (Gaza + Irã + Ormuz); 2) Rússia × Ucrânia; 3) Congo e minerais críticos; 4) Iêmen e Mar Vermelho; 5) Sudão; 6) Mianmar. Treine as conexões: Ucrânia → fertilizantes → alimentos no Brasil; Congo → cobalto → carro elétrico; Iêmen → Bab el-Mandeb → frete → inflação; Irã → Ormuz → petróleo → IPCA. Foque em causas estruturais (não datas isoladas), consequências humanitárias e econômicas, e os limites das organizações internacionais (veto na ONU).

🎯 Simulado: conflitos do mundo (15 questões)

Questões no estilo ENEM, vestibulares e concursos militares. Marque uma alternativa em cada uma e clique em "Ver meu resultado" para a nota e o gabarito comentado.

1Fácil

A guerra entre Rússia e Ucrânia elevou os preços mundiais de fertilizantes já em 2022. A vulnerabilidade do Brasil descrita decorre principalmente da:

A autossuficiência na produção de insumos agrícolas.
B dependência externa de insumos estratégicos para a agricultura.
C adoção de práticas agroecológicas em larga escala.
D redução da área plantada de commodities no país.
E substituição dos fertilizantes minerais por adubação orgânica.
Gabarito: B. O Brasil importa a maior parte dos fertilizantes que usa; essa dependência transforma qualquer choque geopolítico em pressão direta sobre o custo do agronegócio e, depois, sobre o preço dos alimentos.
2Médio

A RDC é o maior produtor mundial de cobalto e um dos maiores de coltan, mas tem baixíssimo IDH e guerras pelo controle das minas. Essa contradição é conhecida como:

A bônus demográfico.
B transição energética.
C maldição dos recursos naturais.
D desindustrialização precoce.
E especialização produtiva flexível.
Gabarito: C. A "maldição dos recursos naturais" descreve países ricos em recursos que, em vez de se desenvolverem, enfrentam conflito, corrupção e dependência externa — o caso congolês.
3Médio

Os estreitos de Ormuz e de Bab el-Mandeb, citados nas análises de segurança energética, são classificados como:

A zonas econômicas exclusivas.
B pontos de estrangulamento (choke points) do comércio mundial.
C áreas sob administração direta da ONU.
D fronteiras naturais entre placas tectônicas.
E canais artificiais do século XIX.
Gabarito: B. Choke points são passagens marítimas estreitas e estratégicas. Pegadinha: o Canal de Suez é artificial (1869); Ormuz e Bab el-Mandeb são estreitos naturais.
4Médio

Na guerra do Sudão, o exército (SAF) enfrenta as RSF, e em Darfur os ataques atingem seletivamente comunidades como Zaghawa e Fur. Isso caracteriza o conflito também como:

A guerra de secessão com fronteiras já definidas.
B conflito puramente religioso entre cristãos e muçulmanos.
C disputa exclusiva por recursos hídricos.
D conflito com dimensão étnica e alvos definidos por identidade.
E intervenção humanitária autorizada pela ONU.
Gabarito: D. Violência dirigida a grupos por identidade étnica dá dimensão étnica ao conflito (podendo configurar limpeza étnica ou genocídio). A maioria é muçulmana, então em Darfur a clivagem principal é étnica, não religiosa.
5Médio

Desde o golpe de 2021, a junta de Mianmar controla pouco mais de um quinto do território. Isso evidencia o enfraquecimento de qual atributo do Estado moderno?

A A soberania efetiva sobre o território.
B A identidade cultural homogênea.
C A integração a blocos econômicos.
D A autossuficiência energética.
E A representação diplomática no exterior.
Gabarito: A. Soberania pressupõe controle efetivo do território e o monopólio legítimo da força. Um governo que domina só parte do país exerce soberania apenas nominal — base do conceito de "Estado falido".
6Difícil

O conflito no leste da RDC tem raízes no genocídio de Ruanda (1994), quando o deslocamento massivo pela fronteira reconfigurou as tensões. Conclui-se que os conflitos africanos contemporâneos frequentemente:

A resultam apenas de rivalidades pessoais entre líderes.
B ultrapassam fronteiras nacionais, com caráter regional e transfronteiriço.
C são resolvidos rapidamente por acordos entre vizinhos.
D independem das fronteiras herdadas do colonialismo.
E têm origem exclusivamente em desastres ambientais recentes.
Gabarito: B. As fronteiras traçadas na Conferência de Berlim (1884-1885) dividiram povos e uniram rivais; por isso crises internas transbordam para os vizinhos — Ruanda e RDC são o exemplo clássico.
7Médio

Desde 2023, os Houthis atacam navios no Mar Vermelho, provocando desvios das embarcações que passariam pelo Canal de Suez. O principal efeito econômico global é:

A a redução dos custos de frete pela menor demanda por seguros.
B o aumento do tempo de viagem e dos custos logísticos pela rota do Cabo da Boa Esperança.
C o fechamento definitivo do Canal do Panamá.
D a eliminação das rotas entre Ásia e Europa.
E a valorização imediata das moedas africanas.
Gabarito: B. Ao evitar o Mar Vermelho, os navios contornam a África, somando milhares de km e vários dias — elevando frete, combustível e seguro, custos repassados ao preço final.
8Médio

Em 2026, a alta do barril levou o Brasil a medidas para conter o repasse aos combustíveis e capturar receita das exportações de óleo cru. Para um país exportador, uma forte alta do petróleo tende a produzir efeitos:

A exclusivamente negativos, pois encarece toda a cadeia.
B exclusivamente positivos, pois amplia as exportações.
C ambíguos: favorece balança comercial e arrecadação, mas pressiona a inflação interna.
D nulos, pois o país é autossuficiente em todos os derivados.
E restritos à indústria, sem alcançar o consumidor.
Gabarito: C. O Brasil exporta petróleo bruto (ganha) mas importa derivados e depende do diesel (perde). O resultado é ambíguo — a análise mais cobrada em prova.
9Médio

A maioria das pessoas forçadas a fugir permanece dentro do próprio país. A distinção entre refugiado e deslocado interno é relevante porque os deslocados internos:

A recebem automaticamente o estatuto de refugiado da Convenção de 1951.
B não cruzam fronteiras internacionais e não têm o mesmo amparo jurídico dos refugiados.
C têm direito garantido a reassentamento em terceiros países.
D perdem a nacionalidade ao se deslocar.
E ficam sob administração direta do Conselho de Segurança.
Gabarito: B. O refugiado cruza uma fronteira e é protegido pela Convenção de 1951; o deslocado interno permanece no próprio país, muitas vezes sob o Estado que é parte no conflito.
10Difícil

A guerra na Ucrânia levou a UE a buscar novos fornecedores de gás e a acelerar as renováveis. O processo é mais bem caracterizado como estratégia de:

A autarquia econômica com fechamento total do mercado.
B diversificação da matriz e das fontes, visando à segurança energética.
C desindustrialização planejada do continente.
D retorno integral ao carvão mineral.
E abandono imediato de todas as fontes fósseis.
Gabarito: B. Segurança energética é garantir suprimento estável a preços viáveis. Diversificar origens e fontes é a resposta clássica a um choque geopolítico de energia.
11Fácil

Privados de cidadania pela legislação birmanesa e forçados a fugir em massa, os rohingya constituem o maior grupo mundial de:

A refugiados climáticos.
B trabalhadores migrantes.
C apátridas.
D deslocados ambientais.
E exilados políticos.
Gabarito: C. Apátrida é a pessoa que nenhum Estado reconhece como cidadã. Sem cidadania birmanesa, os rohingya formam o maior grupo de apátridas do mundo.
12Difícil

No Iêmen, Arábia Saudita e Irã sustentam lados opostos do conflito sem se enfrentarem diretamente. Esse formato é denominado:

A guerra por procuração (proxy war).
B guerra interestatal clássica.
C guerra de secessão.
D operação de paz da ONU.
E conflito congelado.
Gabarito: A. Na guerra por procuração, potências rivais apoiam lados opostos sem confronto direto — reduz o custo político para elas e prolonga o sofrimento da população.
13Fácil

Sobre a questão israelo-palestina, é correto afirmar que:

A Faixa de Gaza e Cisjordânia são o mesmo território, com nomes diferentes.
B Faixa de Gaza e Cisjordânia são territórios separados, com situações distintas.
C a Cisjordânia é uma ilha no Mediterrâneo.
D a Faixa de Gaza fica a leste do rio Jordão.
E ambos ficam fora do Oriente Médio.
Gabarito: B. São territórios separados: Gaza é uma estreita faixa litorânea no Mediterrâneo; a Cisjordânia fica a oeste do rio Jordão. Confundi-los é uma pegadinha frequente.
14Difícil

Apesar de mediar negociações e autorizar missões de paz, a ONU muitas vezes não consegue impor o fim de uma guerra. A principal limitação institucional é:

A a inexistência de qualquer tribunal internacional.
B a proibição de enviar tropas em qualquer situação.
C a ausência de sede permanente.
D o poder de veto dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.
E a falta de países-membros suficientes.
Gabarito: D. O Conselho de Segurança só age com o aval dos cinco permanentes (EUA, Rússia, China, Reino Unido e França); qualquer um pode vetar uma resolução — inclusive quando é parte interessada.
15Difícil

O carro elétrico é símbolo de sustentabilidade no Norte global, mas suas baterias dependem do cobalto, majoritariamente extraído no leste da RDC, onde o controle das minas financia grupos armados. Isso evidencia:

A que a transição energética eliminou os conflitos por recursos.
B a total independência entre tecnologia limpa e cadeias produtivas.
C a contradição entre a demanda por minerais críticos da transição energética e os conflitos armados no Sul global.
D que o cobalto perdeu importância econômica.
E que o Norte global produz suas baterias sem importar minerais.
Gabarito: C. A transição energética aumenta a demanda por cobalto e lítio, pressionando regiões como o Congo. A tecnologia "limpa" do Norte depende de uma cadeia que sustenta conflito no Sul — contradição clássica em ENEM e redação.

Perguntas frequentes

Quantas guerras existem no mundo atualmente?

Depende do critério. O UCDP, referência acadêmica, registrou 75 conflitos armados ativos em 2025 — o maior número desde 1946. A maioria são conflitos internos com participação estrangeira, não guerras clássicas entre dois Estados.

Qual é a maior guerra do mundo atualmente?

Em forças empenhadas e impacto geopolítico, a guerra entre Rússia e Ucrânia é a maior — o maior conflito convencional na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Já em sofrimento humano e deslocamento, o Sudão é hoje a maior crise humanitária do planeta.

Quais países estão em guerra em 2026?

Entre os principais focos estão Ucrânia, Faixa de Gaza e Cisjordânia, Sudão, República Democrática do Congo, Mianmar e Iêmen. Somou-se a esse quadro o confronto direto entre Estados Unidos e Irã.

Qual conflito é mais cobrado no ENEM?

Historicamente, os do Oriente Médio (sobretudo a questão israelo-palestina) e a guerra na Ucrânia. O ENEM cobra causas estruturais, consequências humanitárias e impactos econômicos, a partir de textos, mapas ou charges.

Qual conflito envolve minerais estratégicos?

O da RDC. O país é o maior produtor mundial de cobalto e um dos maiores de coltan — minerais essenciais para baterias e eletrônicos. O controle das minas no leste financia grupos armados.

Qual guerra influencia o preço do petróleo?

As do Oriente Médio, sobretudo por causa do estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado. Em 2026, a escalada entre EUA e Irã levou o Brent a ultrapassar US$ 120 em alguns momentos.

Qual guerra influencia o preço dos fertilizantes?

A da Ucrânia teve o efeito mais direto, porque Rússia e Belarus estão entre os maiores exportadores. Os conflitos no Oriente Médio também afetam esse mercado, já que a produção de nitrogenados depende de gás natural.

O Brasil participa de algum conflito armado?

Não. O Brasil não é parte beligerante. A Constituição estabelece a defesa da paz e a solução pacífica de controvérsias. A atuação se dá pela diplomacia, ajuda humanitária, acolhimento de refugiados e missões de paz da ONU.

Qual a diferença entre refugiado e deslocado interno?

O refugiado cruza uma fronteira internacional e é protegido pela Convenção de 1951. O deslocado interno permanece no próprio país — e continua sob a jurisdição do Estado que muitas vezes é parte no conflito. A maioria das pessoas deslocadas é de deslocados internos.

O que é um choke point e por que importa?

É um ponto de estrangulamento: uma passagem marítima estreita por onde circula grande volume do comércio mundial. Os principais são os estreitos de Ormuz, Bab el-Mandeb, Malaca e Bósforo, e os canais de Suez e do Panamá. Bloquear um deles encarece fretes, seguros e commodities.

Por que o Oriente Médio concentra tantos conflitos?

Localização estratégica entre três continentes, enormes reservas de petróleo e gás, fronteiras traçadas por potências europeias sem respeitar identidades locais, disputas por água, mosaico étnico-religioso e forte interferência externa.

O que é a questão palestina?

A disputa por território e soberania entre israelenses e palestinos, cujas raízes remontam ao Mandato Britânico e ao Plano de Partilha da ONU de 1947. Envolve o reconhecimento de um Estado palestino, o estatuto de Jerusalém, os assentamentos e a situação de Gaza.

O que é o M23 e por que atua no Congo?

O Movimento 23 de Março é um grupo armado formado majoritariamente por combatentes tutsis, criado em 2012 e reativado em 2021. Relatórios da ONU apontam apoio de Ruanda e financiamento pelo controle de minas de coltan no leste congolês.

Quem são os Houthis?

Um movimento armado do norte do Iêmen, de orientação zaidita (ramo do xiismo), que controla a capital Saná desde 2014. Alinhados ao Irã, tornaram-se centrais na segurança do Mar Vermelho a partir dos ataques a navios iniciados em 2023.

Como os conflitos afetam a inflação no Brasil?

Por três canais: o preço do petróleo (diesel, gasolina e fretes), o preço dos fertilizantes (custo dos alimentos) e o câmbio (a busca por ativos seguros valoriza o dólar). Segundo a Fazenda, cada alta de ~1% no petróleo tende a somar ~0,02 ponto à inflação.

↑ Voltar ao topo
plugins premium WordPress