Bacia do Rio São Francisco: transposição, importância e mapa | PlanetaGeo
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Bacia do Rio São Francisco

Localização, importância, transposição (PISF), hidrelétricas e atualidades — o guia completo do Velho Chico para Enem, vestibulares e concursos.

O Rio São Francisco é o maior rio inteiramente brasileiro e desempenha papel estratégico no abastecimento, na agricultura irrigada, na geração de energia, na navegação, na integração territorial e na segurança hídrica do Nordeste.
639 mil km² de bacia 2.700 km de rio 7 estados + DF PISF: 477 km
Rio São Francisco, o Velho Chico

Chamado de Velho Chico por causa da relação histórica e afetiva das populações ribeirinhas com o rio, o São Francisco corta o interior do Brasil ligando o Sudeste ao Nordeste. Por atravessar o semiárido levando água a uma região de chuvas irregulares, ele é o principal símbolo da integração nacional e da segurança hídrica brasileira.

01 · Infográfico

São Francisco em números

Diferentes órgãos publicam valores ligeiramente distintos porque usam critérios metodológicos diferentes e porque a "bacia hidrográfica" não é exatamente igual à "Região Hidrográfica" definida pela ANA. Os valores abaixo trazem a fonte e o ano.

639.219 km²
Área de drenagem (7,5% do Brasil)
CBHSF
2.700 km
Extensão do rio principal
CBHSF / ANA
7 + DF
Unidades da federação na bacia
CBHSF
~504 a 508
Municípios na bacia
CBHSF / Codevasf-IBGE 2020
~20,3 mi
Habitantes na bacia
Codevasf/IBGE 2020
~2.850 m³/s
Vazão média do rio
CBHSF / ANA
4
Regiões fisiográficas (Alto→Baixo)
CBHSF
Serra da Canastra
Nascente (São Roque de Minas, MG)
AL × SE
Foz no Oceano Atlântico
477 km
Extensão do PISF (transposição)
MIDR 2026
4 estados
Beneficiados pelo PISF (PE·CE·PB·RN)
MIDR 2026
~12 mi
Pessoas atendidas pelo PISF em ~390 municípios
MIDR 2026
Dado importante

Bacia ≠ Região Hidrográfica. A ANA trabalha com a "Região Hidrográfica São Francisco" (~638 mil km²), enquanto o CBHSF cita a bacia com 639.219 km². A Codevasf/IBGE (2020) registra 636.099 km² e 508 municípios. As pequenas diferenças vêm do recorte e do ano — por isso sempre citamos a fonte.

02 · Geografia

Localização e curso do rio

O São Francisco nasce na Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG), corre no sentido sul → norte por Minas Gerais e Bahia, faz a divisa entre Bahia e Pernambuco, depois muda para o rumo leste e deságua no Oceano Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe. A bacia se espalha por Minas Gerais, Goiás, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e o Distrito Federal — tocando três regiões (Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste), o que explica o apelido de rio da integração nacional.

Mapa da bacia hidrográfica do Rio São Francisco e os estados que abrange
Mapa da bacia do São Francisco, da nascente (MG) à foz (AL/SE).
Alto Médio Submédio Baixo Serra da Canastra (MG)nascente Pirapora (MG) Bom Jesus da Lapa · Ibotirama (BA) Sobradinho (BA) Petrolina·Juazeiro Paulo Afonso · Xingó Foz — AL × SEOceano Atlântico
Esquema simplificado do curso: Nascente → Alto → Médio → Submédio → Baixo → Foz. (Ilustrativo, sem escala geográfica.)
Você sabia?

O São Francisco é apelidado de "Nilo brasileiro": assim como o Nilo, ele é um grande rio que atravessa terras secas correndo em direção ao interior/norte, tornando possível a agricultura e a ocupação humana ao longo de suas margens.

03 · Nascente, curso e foz

De onde vem e para onde vai

⛰️

Nascente

A nascente histórica fica na Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG). Já a nascente geográfica — o ponto mais distante da foz — é atribuída ao Rio Samburá, em Medeiros (MG). São critérios diferentes de definição.

🧭

Curso

Segue MG → BA → PE → AL/SE. Corre em sentido sul-norte no trecho mineiro-baiano e vira para leste no trecho final. Muda muito de caráter: caudaloso no Alto, regularizado por barragens no Médio/Submédio.

🌊

Foz

Deságua no Oceano Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe. Na foz surgem problemas de erosão costeira e intrusão de água salgada, ligados à regularização das vazões a montante.

04 · Regiões fisiográficas

Alto, Médio, Submédio e Baixo São Francisco

A bacia é dividida em quatro grandes trechos, cada um com clima, relevo e economia próprios. É um dos recortes mais cobrados em prova.

RegiãoTrechoÁrea aprox.Marcas principais
Alto SFNascente → Pirapora (MG)~110.700 km² (17%)Clima tropical; planaltos; maior disponibilidade de água; forte presença urbana/industrial (RMBH); principais afluentes (Rio das Velhas, Paracatu).
Médio SFPirapora → Remanso (BA)~322.100 km² (50%)Predomínio da Bahia e do semiárido; agricultura de grãos no oeste baiano; início dos grandes reservatórios.
Submédio SFRemanso → Paulo Afonso (BA/PE)~168.500 km² (26%)Semiárido; polo de fruticultura irrigada Petrolina–Juazeiro; grande potencial hidroenergético (Sobradinho, Paulo Afonso); captações do PISF.
Baixo SFPaulo Afonso → foz (AL/SE)~32.000 km² (6%)Divisa AL/SE; pesca e agricultura; erosão, assoreamento e dinâmica costeira; impactos da regularização de vazões.

Fonte das áreas: CBHSF/ANA. Há pequenas variações de percentuais conforme o documento consultado.

Divisão da bacia do São Francisco em Alto, Médio, Submédio e Baixo
As quatro regiões fisiográficas ao longo do curso do Velho Chico.
05 · Relevo, hidrografia e clima

Por que o relevo gera energia e o clima gera dependência

Relevo e potencial hidrelétrico

A bacia combina planaltos, chapadas, depressões e vales. Onde o rio encontra grandes desníveis — como em Paulo Afonso e Xingó, na passagem do planalto para o litoral — há forte potencial para gerar energia. Por isso as principais usinas se concentram no Submédio/Baixo São Francisco, onde a queda d'água é maior. No Alto, o relevo de planalto e a maior umidade dão ao rio seu maior vigor inicial.

Clima: do tropical ao semiárido

O Alto São Francisco tem clima tropical mais úmido. À medida que o rio avança para o Nordeste, entra no domínio do semiárido: chuvas escassas e irregulares, alta evapotranspiração e longos períodos de estiagem. É essa combinação que torna o rio tão estratégico:

Dado importante

O São Francisco é um grande rio atravessando uma região onde a água natural é muito mais irregular. Ele carrega para o semiárido uma disponibilidade hídrica que a chuva local, sozinha, não garante.

06 · Afluentes

Principais afluentes

Boa parte da vazão do Velho Chico vem de afluentes da margem esquerda, no Alto e no oeste da Bahia — regiões mais úmidas. Os afluentes do semiárido tendem a ser intermitentes e contribuem pouco.

AfluenteOnde deságua / estadoDestaque
Rio das VelhasMG (margem direita, Alto SF)Nasce perto de Ouro Preto e atravessa a Região Metropolitana de Belo Horizonte; muito pressionado por esgoto e mineração.
Rio ParacatuMG (margem esquerda)Um dos maiores contribuintes de vazão do Alto/Médio.
Rio UrucuiaMG (margem esquerda)Drena o oeste mineiro; importante para o Médio SF.
Rio GrandeBA (margem esquerda)Grande afluente do oeste baiano, área de agricultura de grãos.
Rio CorrenteBA (margem esquerda)Oeste da Bahia; irrigação.
Rio CarinhanhaDivisa MG/BAAfluente da margem esquerda.
Rio Verde GrandeDivisa MG/BATrecho de transição para o semiárido.
Rio JequitaíMG (margem esquerda)Contribui no trecho mineiro.
Você sabia?

O Rio das Velhas é vital para Minas Gerais porque abastece parte da Região Metropolitana de Belo Horizonte — mas é também um dos afluentes mais degradados, o que mostra que salvar o São Francisco depende de recuperar seus afluentes.

07 · Importância econômica

Usos múltiplos da água

Segundo a ANA, na Região Hidrográfica do São Francisco a demanda total de retirada é de cerca de 278 m³/s, com forte predomínio da irrigação (77%), seguida do abastecimento urbano (11%, concentrado na RMBH), da indústria (7%), do uso animal (4%) e do rural (1%).

🚰

Abastecimento humano

Rio e reservatórios abastecem cidades ao longo da bacia e, via integração, sistemas do semiárido nordestino.

🍇

Agricultura irrigada

No Vale do São Francisco (Petrolina–Juazeiro), a irrigação criou um polo de fruticultura — uva e manga de exportação — em pleno semiárido.

Energia

Base energética do Nordeste: usinas de Sobradinho, Luiz Gonzaga, Paulo Afonso e Xingó.

⛴️

Navegação

Trechos navegáveis históricos (ex.: Pirapora–Juazeiro), hoje limitados por assoreamento e barragens.

🎣

Pesca

Importância econômica e cultural para comunidades ribeirinhas, afetada pela regularização das vazões.

🏞️

Turismo

Cânions de Xingó, cidades históricas e o turismo fluvial do Velho Chico.

08 · Hidrelétricas

As usinas do Velho Chico

A Região do São Francisco tem papel central na geração de energia: potência instalada em torno de 10.700 MW (cerca de 12% do país, dado de 2013 da ANA). Além de energia, os grandes reservatórios fazem a regularização de vazões.

UsinaEstadoPotênciaFunção
SobradinhoBA~1.050 MWMaior reservatório da bacia; regulariza a vazão para todos os usos a jusante.
Luiz Gonzaga (Itaparica)PE~1.479 MWGrande reservatório de regularização e geração.
Complexo Paulo AfonsoBA~2.462 MW (P. Afonso IV)Aproveita o desnível da cachoeira de Paulo Afonso; núcleo energético histórico do NE.
XingóAL/SE~3.162 MWMaior usina do rio; a montante fica o cânion de Xingó (turismo).
Três MariasMG~396 MWNo Alto SF; regularização de vazões e controle de cheias.
Conceito · Regularização de vazões

Grandes reservatórios armazenam água nos períodos chuvosos e a liberam nas secas, mantendo uma vazão mais estável o ano todo. Isso dá segurança para energia, abastecimento, irrigação e navegação — mas também altera o regime natural do rio, com impactos na pesca e na foz.

09 · Abastecimento e segurança hídrica

Por que o São Francisco é vital para o Nordeste

O rio abastece cidades direta e indiretamente por meio de reservatórios, adutoras e integração de bacias, funcionando como um "estoque" de água para enfrentar as secas do semiárido. Mas ter um grande rio por perto não basta:

Atenção

Disponibilidade hídrica ≠ água efetivamente disponível para consumo. Uma região pode ter um grande rio e ainda assim faltar água na torneira — o que decide é a infraestrutura (barragens, adutoras, estações de tratamento) que capta, transporta e distribui essa água até as pessoas.

10 · Transposição

Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF)

O nome técnico completo é Projeto de Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional. É a maior obra de infraestrutura hídrica do Brasil: capta água no São Francisco (interior de Pernambuco) e a conduz por canais, túneis, aquedutos e estações de bombeamento para perenizar rios e açudes do semiárido setentrional.

477 km
Extensão total (Eixos Norte + Leste)
MIDR 2026
4 estados
PE · CE · PB · RN
MIDR 2026
~390
Municípios atendidos
MIDR 2026
~12 mi
Pessoas beneficiadas
MIDR 2026

Estruturas do projeto (MIDR): 13 aquedutos, 9 estações de bombeamento, 27 reservatórios, 4 túneis, 9 subestações e 270 km de linhas de transmissão. O túnel Cuncas I, com 15 km, é o maior da América Latina para transporte de água. O projeto ainda prevê atender cerca de 294 comunidades rurais ao longo dos canais.

Mapa da transposição do São Francisco com os Eixos Norte e Leste
Mapa da transposição (PISF): Eixo Norte e Eixo Leste e os estados receptores.
Rio São Francisco captação (PE) Eixo Norte PE → CE → PB → RN Ceará Rio G. do Norte Paraíba Eixo Leste PE → PB Pernambuco Paraíba (Campina Grande)
Esquema da transposição: a água é captada no São Francisco (PE) e segue por dois eixos até rios e açudes receptores. (Ilustrativo.)

Eixo Norte

Capta água em Cabrobó (PE) e leva-a rumo ao norte, integrando sistemas de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. A água chegou ao Ceará em 2020, à Paraíba em 2021 e ao Rio Grande do Norte em 2022 (pelo leito natural do rio Piranhas).

Eixo Leste

Segue de Floresta/Itacuruba (PE) e beneficia municípios de Pernambuco e Paraíba, reforçando sistemas que atendem, entre outras, a região de Campina Grande (PB). As águas passaram a abastecer PE e PB a partir de 2017.

Locais de captação de água do Velho Chico para a transposição
Pontos de captação da água no São Francisco.
Mapa do traçado da transposição do Velho Chico
Traçado dos canais até os rios e açudes receptores.
Box · Como a água "sobe" no semiárido?

A água não percorre todo o trajeto só por gravidade. Como parte do caminho é "ladeira acima", o projeto usa estações de bombeamento (movidas a energia elétrica) para elevar a água, além de canais, aquedutos, túneis e reservatórios que a conduzem e armazenam. Ou seja: relevo + engenharia hidráulica + energia elétrica trabalhando juntos.

Canal de concreto da transposição do São Francisco
Canal de concreto que conduz a água pelo semiárido — parte dos 477 km do PISF.

Quanta água é transposta?

É preciso separar conceitos. A vazão média do rio é de ~2.850 m³/s. Já a vazão autorizada para o PISF (outorga da ANA) é muito menor: até 26,4 m³/s a qualquer tempo (para consumo humano e dessedentação animal) e até 127 m³/s apenas quando o reservatório de Sobradinho está em condições favoráveis de armazenamento. E vazão autorizada não significa bombeamento contínuo nesse valor todos os dias do ano.

Quem recebe a água?

Atenção · Não confunda

Estado beneficiado → município beneficiado → população potencialmente atendida → população efetivamente abastecida. São PE, CE, PB e RN os estados diretamente beneficiados — mas não se pode dizer que toda a população desses estados é abastecida pelo São Francisco. Os ~12 milhões são o alcance potencial do sistema.

Benefícios e críticas

Possíveis benefícios

Segurança hídrica; abastecimento humano e animal; menor vulnerabilidade às secas; integração de sistemas; suporte à agricultura; desenvolvimento regional; mais segurança para centros urbanos.

Críticas e desafios

Alto custo de obra, operação e manutenção; consumo de energia no bombeamento; evaporação; dependência de reservatórios; impactos sobre a bacia doadora; necessidade de recuperar o São Francisco; conflitos pelo uso da água (irrigação × abastecimento humano).

Pegadinha

A transposição não elimina a seca e não significa que todo o semiárido terá água encanada automaticamente. Ela aumenta a segurança hídrica de sistemas específicos — é uma peça da solução, não a solução inteira.

11 · Meio ambiente

Problemas ambientais do São Francisco

Décadas de ocupação intensa deixaram marcas. Os principais problemas se conectam numa cadeia:

Cadeia de impactos

Desmatamento das matas ciliares → erosão → produção de sedimentos → assoreamento → redução da qualidade e da capacidade dos corpos d'água.

Somam-se a isso: poluição por esgoto e agrotóxicos, mineração, redução de vazão, barramentos, perda de biodiversidade, espécies invasoras, degradação de nascentes, queda na pesca, erosão na foz e eventos extremos de seca — agravados pelas mudanças climáticas.

Mata ciliar e nascentes

Recuperar o Velho Chico não depende só do canal principal. É preciso restaurar também nascentes, afluentes, matas ciliares, solo e áreas de recarga — o "sistema" inteiro que alimenta o rio. Sem isso, os sedimentos continuam chegando e assoreando o leito.

Mudanças climáticas

Os cenários climáticos apontam risco de secas mais frequentes, maior evapotranspiração, mudanças no regime de chuvas, menor disponibilidade hídrica, mais pressão sobre os reservatórios e sobre a geração de energia, além de conflitos pelo uso da água.

Atenção · conceitos

Variabilidade climática natural ≠ mudança climática antropogênica. Secas sempre ocorreram no semiárido (variabilidade natural); o que preocupa é a tendência de intensificação associada à ação humana sobre o clima.

12 · Atualidades

O que está acontecendo com o rio em 2026

Atualidade · 2026

O PISF opera hoje com seus dois eixos estruturantes concluídos e água já entregue aos quatro estados. A gestão federal (MIDR) mantém o discurso de atendimento potencial a ~12 milhões de pessoas em ~390 municípios, e o projeto passou por modelagem de concessão/PPP conduzida pelo BNDES (edital e leilão discutidos em 2025) para operação e manutenção da infraestrutura. (Fonte: MIDR/BNDES, 2025–2026.)

Atualidade · Nova outorga

A captação de água do PISF no rio passou a ser regida pela Outorga nº 2.242, de 22 de agosto de 2025, da ANA, que entrou em vigor em 27 de setembro de 2025 e substituiu a antiga Resolução ANA nº 411/2005. Ela mantém os limites de captação e vincula a vazão maior (até 127 m³/s) às boas condições de Sobradinho. (Fonte: ANA, 2025.)

Atenção · dados que mudam

Os níveis dos reservatórios (Sobradinho, Três Marias, Itaparica, Xingó) mudam o tempo todo. Desde 2013 a bacia enfrentou anos hidrologicamente adversos, com operação especial dos reservatórios. Para o número atual, consulte a Sala de Situação da ANA e o ONS antes de usar em prova ou trabalho — nunca reaproveite um percentual antigo como se fosse de hoje.

13 · Gestão e conflitos

Uso múltiplo, conflitos e quem manda na água

Conflitos pelo uso da água

Onde a água é escassa e disputada, surgem tensões: abastecimento × irrigação, energia × manutenção de vazões, usuários urbanos × rurais, conservação × exploração e, no PISF, bacia doadora × bacias receptoras. O princípio que organiza tudo isso é o uso múltiplo da água: um mesmo corpo hídrico deve atender vários usos, com prioridade legal para o consumo humano e a dessedentação animal em situações de escassez.

Gestão dos recursos hídricos

A gestão integrada reúne vários atores: a ANA (regulação e outorga), o CBHSF (comitê da bacia, gestão participativa), a Codevasf (desenvolvimento do vale), o MIDR (segurança hídrica e PISF), órgãos estaduais, o ONS (operação do sistema elétrico) e os próprios usuários.

Navegação

Historicamente o rio foi corredor de transporte e comércio, ligando cidades ribeirinhas. Hoje a navegação não é uniforme em todo o curso: barragens, trechos encachoeirados e assoreamento limitam a hidrovia a segmentos específicos.

14 · Estudo de caso

Petrolina e Juazeiro: o agronegócio no semiárido

Rio São Francisco em Petrolândia, Pernambuco
O São Francisco em Petrolândia (PE): água e irrigação transformam o semiárido.
Você sabia?

Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), cidades irmãs separadas pelo São Francisco, tornaram-se um dos maiores polos de fruticultura irrigada do país. Com água do rio, tecnologia e infraestrutura, o semiárido virou grande exportador de uva e manga, gerando empregos e transformando a economia regional.

O caso mostra a lógica central do tema: água + infraestrutura + irrigação reorganizam por completo a dinâmica econômica de uma região seca. É também o exemplo perfeito do conflito potencial entre irrigação empresarial e abastecimento humano.

15 · Cai no Enem

Como o São Francisco cai na prova

Cai no Enem

O Enem raramente pede "decoreba": ele conecta o São Francisco a clima + relevo + água + economia + população + infraestrutura + meio ambiente. Domine as relações, não só os números.

TemaO que você precisa saber
TransposiçãoPISF, Eixos Norte e Leste, estados beneficiados (PE·CE·PB·RN).
ClimaSemiárido, irregularidade das chuvas, evapotranspiração.
RelevoDesníveis, potencial hidrelétrico e engenharia da transposição.
AgriculturaIrrigação e fruticultura no Vale (Petrolina–Juazeiro).
EnergiaHidrelétricas e regularização de vazões.
AmbienteAssoreamento, desmatamento, poluição, erosão na foz.
GeopolíticaConflitos pelo uso da água (doadora × receptoras).
UrbanizaçãoAbastecimento e segurança hídrica.
GestãoANA, CBHSF, outorga e uso múltiplo.
· Teste você mesmo

Simulado da Bacia do São Francisco

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16 · Antes da prova

Cuidado com estas pegadinhas

Pegadinha

Erros clássicos que derrubam candidatos:

• O São Francisco não é exclusivamente nordestino — nasce em Minas Gerais e é um rio totalmente brasileiro.
• A bacia também alcança Goiás e o Distrito Federal.
• A transposição não leva água a todos os estados do Nordeste — só PE, CE, PB e RN.
• Transposição não é "desvio total" do rio; é captação de uma fração da vazão.
• A água não é bombeada continuamente na mesma vazão.
• O semiárido não é uma região sem rios — tem muitos rios intermitentes.
• O São Francisco não é caudaloso de modo uniforme em todos os trechos.

17 · Vocabulário

Glossário essencial

Bacia hidrográfica
Área drenada por um rio principal e seus afluentes.
Região Hidrográfica
Recorte de gestão da ANA, que pode reunir mais de uma bacia.
Afluente
Rio que deságua em outro rio maior.
Vazão
Volume de água que passa por um ponto por segundo (m³/s).
Vazão ecológica
Fluxo mínimo que preserva a vida e as funções do rio.
Outorga
Autorização do poder público para usar a água.
Transposição
Transferência de água de uma bacia para outra.
Integração de bacias
Conexão de sistemas hídricos para redistribuir água.
Reservatório
Lago artificial formado por uma barragem.
Barragem
Estrutura que represa o rio para gerar energia e regularizar vazões.
Irrigação
Fornecimento artificial de água às lavouras.
Segurança hídrica
Garantia de água em quantidade e qualidade para os usos.
Assoreamento
Acúmulo de sedimentos no leito do rio.
Mata ciliar
Vegetação das margens que protege o rio da erosão.
Evapotranspiração
Perda de água por evaporação + transpiração das plantas.
Uso múltiplo da água
Atender vários usos (humano, agrícola, energético…) no mesmo corpo hídrico.
Gestão hídrica
Planejamento e controle integrado dos recursos hídricos.
18 · Revisão

Mapa mental

RIO SÃO FRANCISCO
LocalizaçãoNascente (Canastra)Foz (AL×SE) Alto/Médio/Submédio/BaixoClima (semiárido)Relevo AfluentesAbastecimentoIrrigaçãoHidrelétricas NavegaçãoTransposição (PISF)Problemas ambientais Mudanças climáticasGestão hídricaAtualidadesEnem
19 · Linha do tempo

Marcos do Velho Chico

Séc. XVI–XIX
Ocupação e navegação: o rio como "estrada" que integrou o interior, ligando pecuária, comércio e povoamento do sertão.
1948
Criação da Chesf e início do aproveitamento hidrelétrico (Complexo Paulo Afonso).
1974
Conclusão da barragem de Sobradinho (BA), o maior reservatório da bacia.
1974
Criação da Codevasf, para o desenvolvimento do vale.
1994
Usina de Xingó entra em operação (maior potência do rio).
2001
Instalação do CBHSF, o comitê da bacia.
2005
Governo aprova a transposição (PISF) e é emitida a outorga original (Resolução ANA nº 411/2005).
2007
Início das obras do PISF.
2013→
Anos de seca severa; reservatórios em operação especial para preservar estoques.
2017
Água do Eixo Leste chega a PE e PB.
2020–2022
Água do Eixo Norte chega ao Ceará (2020), Paraíba (2021) e Rio Grande do Norte (2022).
2025
Nova outorga nº 2.242/2025 da ANA (vigor em 27/09/2025); modelagem de concessão/PPP do PISF pelo BNDES.
2026
PISF com os dois eixos operando e água entregue aos quatro estados; foco em operação, manutenção e segurança hídrica.
20 · Perguntas frequentes

Dúvidas rápidas

Onde nasce o Rio São Francisco?
Na Serra da Canastra, em São Roque de Minas (MG) — nascente histórica. A nascente geográfica é atribuída ao Rio Samburá, em Medeiros (MG).
Onde termina o Rio São Francisco?
No Oceano Atlântico, na divisa entre Alagoas e Sergipe.
Qual é a extensão do São Francisco?
Cerca de 2.700 km (CBHSF/ANA). Algumas fontes arredondam para 2.800 km.
Quais estados fazem parte da bacia?
Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Goiás e o Distrito Federal — sete unidades da federação.
Quantas pessoas dependem do São Francisco?
A bacia abriga cerca de 20,3 milhões de habitantes (Codevasf/IBGE, 2020). Já o PISF atende potencialmente ~12 milhões nos quatro estados beneficiados — são números diferentes.
O que é a transposição do São Francisco?
É o PISF: capta parte da vazão do rio e a transfere, por canais e bombeamento, para bacias do semiárido setentrional, aumentando a segurança hídrica.
Quais estados recebem água da transposição?
Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Quantos quilômetros tem o PISF?
477 km, somando os Eixos Norte e Leste (MIDR, 2026).
A transposição resolve a seca?
Não. Ela reduz a vulnerabilidade e reforça a segurança hídrica de sistemas específicos, mas não acaba com a seca nem leva água encanada a todos automaticamente.
Quais são as principais hidrelétricas do rio?
Sobradinho, Luiz Gonzaga (Itaparica), Complexo Paulo Afonso, Xingó e, no Alto, Três Marias.
Por que Petrolina e Juazeiro são importantes?
Formam um grande polo de fruticultura irrigada (uva e manga de exportação) em pleno semiárido, graças à água do São Francisco.
21 · Fontes e aprofundamento

Fontes oficiais

Priorize sempre as fontes oficiais — e confira a data dos dados antes de usar.

Mais que um rio: um sistema territorial

O São Francisco conecta água + clima + relevo + população + agricultura + energia + infraestrutura + economia + meio ambiente + política + segurança hídrica.

"Compreender o Rio São Francisco é compreender uma parte fundamental da relação entre sociedade, território e água no Brasil."

Material didático de Geografia · PlanetaGeo · planetageo.com.br — dados de ANA, MIDR, CBHSF, Codevasf e IBGE (anos indicados no texto).
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