BRICS: o que é, países-membros e objetivos (2026)

BRICS: o que é, países-membros e objetivos — guia atualizado 2026 | PlanetaGeo

Geopolítica · Geografia

O que é o BRICS e qual é o seu objetivo?

Do acrônimo criado em 2001 ao bloco com 11 membros de 2026: entenda a origem, os países-membros e parceiros, os objetivos, a desdolarização e a Cúpula do Rio — tudo o que cai no ENEM e nos vestibulares.

11
membros plenos
10
países-parceiros
~39%
do PIB mundial
~48,5%
da população global

ConceitoO que é o BRICS

O BRICS é um agrupamento de países emergentes que funciona como um foro de coordenação política e econômica entre nações do Sul Global. A sigla vem das iniciais dos cinco países que formaram o núcleo original — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa) — mas, após as expansões de 2024 e 2025, o grupo passou a reunir 11 membros plenos e uma lista de países-parceiros.

Atenção — pega muito em prova

O BRICS não é um bloco econômico como o Mercosul ou a União Europeia. Não é uma organização internacional, não tem tratado de livre-comércio, secretariado permanente nem orçamento próprio. É um foro de cooperação, e suas decisões precisam ser implementadas internamente por cada país.

Linha do tempoOrigem: do BRIC ao BRICS

A trajetória do grupo costuma cair em questões de vestibular. Vale fixar a sequência:

2001 — o economista britânico Jim O'Neill, do banco Goldman Sachs, cria o termo BRIC para designar as grandes economias emergentes com maior potencial de crescimento.
2006 — primeiros encontros ministeriais entre Brasil, Rússia, Índia e China, à margem da Assembleia Geral da ONU.
2009 — realizada a 1ª Cúpula de líderes do BRIC, em Ecaterimburgo (Rússia).
2010–2011 — a África do Sul é convidada e passa a integrar o grupo, que ganha o "S" e vira BRICS.
2024 — primeira grande expansão: entram Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Irã como membros plenos.
2025 — a Indonésia torna-se membro pleno (6 de janeiro de 2025).

ComposiçãoQuais são os países do BRICS em 2026?

Membros plenos (11)

BrasilRússiaÍndiaChinaÁfrica do Sul Arábia SauditaEgitoEmirados Árabes UnidosEtiópiaIndonésiaIrã
Nuance sobre a Arábia Saudita

O país foi convidado na expansão de 2024 e participa das reuniões, mas tem adotado uma postura cautelosa quanto à formalização plena da adesão. A maioria das fontes oficiais brasileiras já o contabiliza entre os 11 membros — mas essa é uma distinção que às vezes aparece em questões.

ComposiçãoPaíses-parceiros do BRICS

A categoria de país-parceiro foi criada na 16ª Cúpula, em Kazan (Rússia), em outubro de 2024. É uma "porta de entrada": o parceiro participa de reuniões e discussões-chave, mas sem ser membro pleno. São 10:

BelarusBolíviaCubaCazaquistãoMalásiaNigériaTailândiaUgandaUzbequistãoVietnã
Curiosidade que rende questão

A Argentina chegou a ser convidada em 2023, mas o governo de Javier Milei recusou a entrada no bloco no fim daquele ano.

PropósitoObjetivos do BRICS

O propósito central do grupo é construir um mundo multipolar — reduzir o predomínio dos Estados Unidos e da Europa nas decisões globais e ampliar o peso do Sul Global. Na prática, os principais objetivos são:

  1. Reformar as instituições internacionais (FMI, Banco Mundial, Conselho de Segurança da ONU), consideradas pouco representativas dos emergentes.
  2. Fortalecer o comércio e os investimentos entre os membros.
  3. Reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais (a chamada desdolarização).
  4. Financiar infraestrutura e desenvolvimento por meio de banco próprio (o NDB).

EscalaO peso do BRICS no mundo

Com a expansão, o bloco ganhou escala global. Somados, os 11 membros representam:

  • ≈ 39% do PIB mundial (cerca de US$ 24,7 trilhões, segundo o Banco Mundial);
  • ≈ 48,5% da população do planeta;
  • ≈ 23% do comércio global.

O grupo também concentra enormes reservas de recursos naturais — petróleo, gás natural, minério de ferro, ouro, água doce e terras agricultáveis.

InstituiçãoO Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)

Criado em 2015, o NDB (New Development Bank) é o "banco do BRICS". Ele funciona como uma alternativa ao FMI — veja nosso resumo sobre Banco Mundial e FMI — financiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países-membros e em outras economias emergentes. Empresas dos países-membros têm prioridade nas licitações das obras financiadas.

EconomiaDesdolarização e a moeda comum

Um dos temas mais debatidos — e mais cobrados em prova — é a tentativa de reduzir a dependência do dólar. China e Rússia, em especial, defendem mecanismos de pagamento que excluam a moeda americana, tanto para cortar custos de transação quanto para diminuir a influência dos EUA.

Na prática, porém, não existe uma moeda única do BRICS em operação. O caminho concreto tem sido ampliar o comércio em moedas locais (real, yuan, rupia), desenvolver sistemas de pagamento próprios e reforçar o papel do NDB.

A criação de uma moeda comum esbarra em obstáculos reais: as enormes disparidades entre as economias (PIB, reservas, taxas de juros) e o risco de acúmulo de moedas de baixa liquidez internacional. Por isso, o Brasil tem defendido, como alternativa, que os países troquem moedas locais usando o dólar apenas como referência de valor, não como meio de pagamento.

AtualidadeBRICS e o Brasil: presidência 2025 e Cúpula do Rio

Em 2025, o Brasil assumiu a presidência rotativa do BRICS e sediou a Cúpula anual no Rio de Janeiro, em julho. Ao longo do ano, foram realizadas mais de 200 reuniões. A presidência brasileira priorizou temas como cooperação em saúde, comércio em moedas locais, mudanças climáticas e reforma da governança global. Em 2026, a presidência e a cúpula passam para a Índia.

AnáliseSemelhanças socioeconômicas entre os membros originais

Apesar das diferenças culturais e políticas, os países do núcleo original compartilham características que explicam a lógica do grupo:

  1. Grandes populações — mercado interno amplo e vasta mão de obra.
  2. Crescimento econômico acelerado nas últimas décadas, puxado por industrialização, urbanização e investimento em infraestrutura.
  3. Recursos naturais abundantes — petróleo, gás, minerais e terras aráveis.
  4. Desigualdade de renda elevada — fortes disparidades entre campo e cidade e entre classes sociais.
  5. Busca por desenvolvimento industrial e tecnológico para ganhar competitividade global.
  6. Atuação conjunta em fóruns como o G20.

PanoramaEnergia, população e agricultura

Matriz energética

  • Brasil: predomínio de energia renovável (hidrelétricas e biomassa).
  • Rússia: forte dependência de combustíveis fósseis, sobretudo gás natural e petróleo.
  • Índia: ainda muito dependente do carvão, mas com investimento crescente em solar e eólica.
  • China: base no carvão, porém líder mundial em capacidade instalada de renováveis.

Peso demográfico

  • Índia: mais de 1,4 bilhão de habitantes — a maior população do mundo desde 2023.
  • China: cerca de 1,4 bilhão de habitantes.
  • Indonésia: cerca de 281 milhões — 4º país mais populoso do planeta.
  • Brasil: cerca de 203 milhões (Censo 2022).
  • Rússia: cerca de 146 milhões.

Participação no mercado agrícola mundial

  • Brasil: líder na exportação de soja, carne bovina, aves e açúcar.
  • Rússia: grande exportador de grãos, especialmente trigo.
  • Índia: produção diversificada — arroz, trigo, legumes e frutas.
  • China: maior produtora e consumidora de muitos produtos agrícolas (arroz, trigo, milho, carne suína).

EstudoO BRICS no ENEM e nos vestibulares

O tema aparece com frequência ligado a globalização, multipolaridade, geopolítica do Sul Global e desdolarização. As pegadinhas mais comuns são:

  • confundir o BRICS com um bloco econômico formal (ele não é);
  • desatualizar a lista de membros (memorize os 11 + a categoria de parceiros);
  • atribuir ao grupo uma moeda única em funcionamento (não existe).

Pratique mais com as questões de blocos econômicos, o banco de questões de Geografia Humana e os nossos resumos de Geografia.

Tira-dúvidasPerguntas frequentes

Quais são os países do BRICS em 2026?
São 11 membros plenos: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Há ainda 10 países-parceiros: Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
O BRICS é um bloco econômico?
Não. O BRICS é um foro de cooperação política e econômica, sem tratado de livre-comércio, secretariado permanente ou orçamento próprio — diferente de blocos como o Mercosul e a União Europeia.
O que é a desdolarização do BRICS?
É o esforço para reduzir a dependência do dólar nas trocas comerciais, ampliando o uso de moedas locais e de sistemas de pagamento próprios. Não existe, porém, uma moeda única do BRICS em operação.
A Argentina faz parte do BRICS?
Não. A Argentina foi convidada em 2023, mas recusou a entrada no fim daquele ano, já no governo de Javier Milei.
Qual país sediou a Cúpula do BRICS em 2025?
O Brasil, que presidiu o bloco em 2025 e realizou a cúpula no Rio de Janeiro. Em 2026, a presidência passa para a Índia.
Conteúdo revisado e atualizado em julho de 2026 pela equipe do PlanetaGeo.

Simulado — Gs e BRICS

13 questões de vestibulares e ENEM · com gabarito comentado

Continue estudando geografia

Resumos, provas prontas e mais simulados com gabarito, tudo em um só lugar.

Ver todos os simulados

Compartilhe:

Veja também:

plugins premium WordPress