Geopolítica · Geografia
O que é o BRICS e qual é o seu objetivo?
Do acrônimo criado em 2001 ao bloco com 11 membros de 2026: entenda a origem, os países-membros e parceiros, os objetivos, a desdolarização e a Cúpula do Rio — tudo o que cai no ENEM e nos vestibulares.
ConceitoO que é o BRICS
O BRICS é um agrupamento de países emergentes que funciona como um foro de coordenação política e econômica entre nações do Sul Global. A sigla vem das iniciais dos cinco países que formaram o núcleo original — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (South Africa) — mas, após as expansões de 2024 e 2025, o grupo passou a reunir 11 membros plenos e uma lista de países-parceiros.
O BRICS não é um bloco econômico como o Mercosul ou a União Europeia. Não é uma organização internacional, não tem tratado de livre-comércio, secretariado permanente nem orçamento próprio. É um foro de cooperação, e suas decisões precisam ser implementadas internamente por cada país.
Linha do tempoOrigem: do BRIC ao BRICS
A trajetória do grupo costuma cair em questões de vestibular. Vale fixar a sequência:
ComposiçãoQuais são os países do BRICS em 2026?
Membros plenos (11)
O país foi convidado na expansão de 2024 e participa das reuniões, mas tem adotado uma postura cautelosa quanto à formalização plena da adesão. A maioria das fontes oficiais brasileiras já o contabiliza entre os 11 membros — mas essa é uma distinção que às vezes aparece em questões.
ComposiçãoPaíses-parceiros do BRICS
A categoria de país-parceiro foi criada na 16ª Cúpula, em Kazan (Rússia), em outubro de 2024. É uma "porta de entrada": o parceiro participa de reuniões e discussões-chave, mas sem ser membro pleno. São 10:
A Argentina chegou a ser convidada em 2023, mas o governo de Javier Milei recusou a entrada no bloco no fim daquele ano.
PropósitoObjetivos do BRICS
O propósito central do grupo é construir um mundo multipolar — reduzir o predomínio dos Estados Unidos e da Europa nas decisões globais e ampliar o peso do Sul Global. Na prática, os principais objetivos são:
- Reformar as instituições internacionais (FMI, Banco Mundial, Conselho de Segurança da ONU), consideradas pouco representativas dos emergentes.
- Fortalecer o comércio e os investimentos entre os membros.
- Reduzir a dependência do dólar nas transações comerciais (a chamada desdolarização).
- Financiar infraestrutura e desenvolvimento por meio de banco próprio (o NDB).
EscalaO peso do BRICS no mundo
Com a expansão, o bloco ganhou escala global. Somados, os 11 membros representam:
- ≈ 39% do PIB mundial (cerca de US$ 24,7 trilhões, segundo o Banco Mundial);
- ≈ 48,5% da população do planeta;
- ≈ 23% do comércio global.
O grupo também concentra enormes reservas de recursos naturais — petróleo, gás natural, minério de ferro, ouro, água doce e terras agricultáveis.
InstituiçãoO Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)
Criado em 2015, o NDB (New Development Bank) é o "banco do BRICS". Ele funciona como uma alternativa ao FMI — veja nosso resumo sobre Banco Mundial e FMI — financiando projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável nos países-membros e em outras economias emergentes. Empresas dos países-membros têm prioridade nas licitações das obras financiadas.
EconomiaDesdolarização e a moeda comum
Um dos temas mais debatidos — e mais cobrados em prova — é a tentativa de reduzir a dependência do dólar. China e Rússia, em especial, defendem mecanismos de pagamento que excluam a moeda americana, tanto para cortar custos de transação quanto para diminuir a influência dos EUA.
Na prática, porém, não existe uma moeda única do BRICS em operação. O caminho concreto tem sido ampliar o comércio em moedas locais (real, yuan, rupia), desenvolver sistemas de pagamento próprios e reforçar o papel do NDB.
A criação de uma moeda comum esbarra em obstáculos reais: as enormes disparidades entre as economias (PIB, reservas, taxas de juros) e o risco de acúmulo de moedas de baixa liquidez internacional. Por isso, o Brasil tem defendido, como alternativa, que os países troquem moedas locais usando o dólar apenas como referência de valor, não como meio de pagamento.
AtualidadeBRICS e o Brasil: presidência 2025 e Cúpula do Rio
Em 2025, o Brasil assumiu a presidência rotativa do BRICS e sediou a Cúpula anual no Rio de Janeiro, em julho. Ao longo do ano, foram realizadas mais de 200 reuniões. A presidência brasileira priorizou temas como cooperação em saúde, comércio em moedas locais, mudanças climáticas e reforma da governança global. Em 2026, a presidência e a cúpula passam para a Índia.
AnáliseSemelhanças socioeconômicas entre os membros originais
Apesar das diferenças culturais e políticas, os países do núcleo original compartilham características que explicam a lógica do grupo:
- Grandes populações — mercado interno amplo e vasta mão de obra.
- Crescimento econômico acelerado nas últimas décadas, puxado por industrialização, urbanização e investimento em infraestrutura.
- Recursos naturais abundantes — petróleo, gás, minerais e terras aráveis.
- Desigualdade de renda elevada — fortes disparidades entre campo e cidade e entre classes sociais.
- Busca por desenvolvimento industrial e tecnológico para ganhar competitividade global.
- Atuação conjunta em fóruns como o G20.
PanoramaEnergia, população e agricultura
Matriz energética
- Brasil: predomínio de energia renovável (hidrelétricas e biomassa).
- Rússia: forte dependência de combustíveis fósseis, sobretudo gás natural e petróleo.
- Índia: ainda muito dependente do carvão, mas com investimento crescente em solar e eólica.
- China: base no carvão, porém líder mundial em capacidade instalada de renováveis.
Peso demográfico
- Índia: mais de 1,4 bilhão de habitantes — a maior população do mundo desde 2023.
- China: cerca de 1,4 bilhão de habitantes.
- Indonésia: cerca de 281 milhões — 4º país mais populoso do planeta.
- Brasil: cerca de 203 milhões (Censo 2022).
- Rússia: cerca de 146 milhões.
Participação no mercado agrícola mundial
- Brasil: líder na exportação de soja, carne bovina, aves e açúcar.
- Rússia: grande exportador de grãos, especialmente trigo.
- Índia: produção diversificada — arroz, trigo, legumes e frutas.
- China: maior produtora e consumidora de muitos produtos agrícolas (arroz, trigo, milho, carne suína).
EstudoO BRICS no ENEM e nos vestibulares
O tema aparece com frequência ligado a globalização, multipolaridade, geopolítica do Sul Global e desdolarização. As pegadinhas mais comuns são:
- confundir o BRICS com um bloco econômico formal (ele não é);
- desatualizar a lista de membros (memorize os 11 + a categoria de parceiros);
- atribuir ao grupo uma moeda única em funcionamento (não existe).
Pratique mais com as questões de blocos econômicos, o banco de questões de Geografia Humana e os nossos resumos de Geografia.
Tira-dúvidasPerguntas frequentes
Quais são os países do BRICS em 2026?
O BRICS é um bloco econômico?
O que é a desdolarização do BRICS?
A Argentina faz parte do BRICS?
Qual país sediou a Cúpula do BRICS em 2025?
Simulado — Gs e BRICS
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