Guerra Comercial EUA x China: causas, impactos e Brasil

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Guerra Comercial entre EUA e China

Causas, consequências e impactos no Brasil — uma aula completa sobre a maior disputa geopolítica e econômica do século XXI, do comércio aos chips, das terras raras à nova ordem mundial.

2018início da disputa
2025reescalada tarifária
#1 e #2maiores economias
Trump e Xi Jinping, líderes de EUA e China
Donald Trump e Xi Jinping: no centro da disputa entre as duas maiores economias do mundo.

A guerra comercial entre Estados Unidos e China é muito mais do que uma briga de tarifas. Ela é a face econômica de uma disputa maior — pela liderança tecnológica, industrial e geopolítica do planeta. Entender esse conflito é entender como o comércio se conecta à indústria, à tecnologia, ao território, aos recursos naturais e, no fim, ao poder mundial. E o Brasil está bem no meio dessa história.

Linha do tempo da disputa

2018
Início da guerra comercialOs EUA impõem as primeiras tarifas; a China retalia.
2019
Escalada tarifáriaNovas rodadas de tarifas atingem centenas de bilhões de dólares em produtos.
2020
Acordo "Fase 1"Uma trégua parcial alivia tensões, mas não resolve o fundo do problema.
2021–24
Disputa tecnológicaNo governo Biden, as tarifas são mantidas e o foco migra para os chips.
2025
Nova escaladaCom o retorno de Trump, tarifas mútuas chegam a ultrapassar 100%.
nov/2025
Trégua Trump–XiAcordo suspende tarifas recíprocas mais altas e controles de terras raras até 10/11/2026.
2026
Nova fase da disputaTrégua em vigor, mas com investigações abertas e tensão persistente — o conflito continua.

🔄 Onde estamos em 2026

  • Em 2025, a disputa voltou com força: os EUA elevaram tarifas sobre a China, que retaliou. Segundo o PIIE, Trump aumentou as tarifas sobre a China em cerca de 145 pontos percentuais até abril de 2025, e as importações dos EUA vindas da China caíram à metade até junho.
  • A China usou seu domínio sobre as terras raras como arma, anunciando novos controles de exportação em outubro de 2025.
  • Em 1º de novembro de 2025, Trump e Xi Jinping fecharam um acordo: a China suspendeu os controles sobre terras raras e as retaliações desde março de 2025, e os EUA mantiveram a suspensão das tarifas recíprocas mais altas até 10 de novembro de 2026 — uma trégua, não o fim da disputa (Casa Branca).
  • Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA limitou parte da base legal das tarifas de Trump, obrigando o governo a recorrer a outras ferramentas (Tax Foundation).
  • O Brasil se beneficiou em alguns setores, especialmente no agronegócio, à medida que a disputa alterou fluxos comerciais e abriu oportunidades para fornecedores brasileiros — o país bateu recorde de exportações (US$ 348,7 bi) em 2025 (Bloomberg).

1. O que é uma guerra comercial?

Uma guerra comercial acontece quando países passam a usar instrumentos econômicos para se prejudicar mutuamente, em vez de negociar livremente. A arma mais comum é a tarifa — um imposto cobrado sobre produtos importados, que os encarece e reduz sua entrada no mercado. Quando um país taxa o outro, é comum que o outro retalie com tarifas equivalentes, num efeito dominó.

Além das tarifas, esse tipo de disputa envolve outras ferramentas: o protecionismo (proteger a indústria nacional da concorrência estrangeira), os subsídios (ajuda estatal para baratear a produção interna), as barreiras não tarifárias (cotas, exigências técnicas, restrições sanitárias) e as sanções econômicas (proibições de comércio ou de acesso a tecnologias). O objetivo, quase sempre, é o mesmo: fortalecer a própria economia e pressionar o rival.

2. Por que EUA e China entraram em conflito comercial?

É tentador explicar tudo pela decisão de um presidente, mas as raízes são estruturais. A primeira delas é o enorme déficit comercial dos Estados Unidos com a China: há décadas os norte-americanos compram muito mais da China do que vendem a ela. A segunda é a ascensão industrial e tecnológica chinesa: em poucas décadas, a China deixou de ser a "fábrica de produtos baratos" para disputar a liderança em setores de ponta, como telecomunicações, veículos elétricos e inteligência artificial.

No fundo, o que está em jogo não é só a balança comercial, e sim a liderança econômica e geopolítica do século XXI. Os EUA, potência dominante desde o fim da Guerra Fria, veem na China um rival capaz de contestar essa posição. A China, por sua vez, entende o desenvolvimento tecnológico como questão de soberania. É essa combinação — economia, tecnologia e poder — que torna a disputa tão profunda.

Balança comercial entre China e EUA
A balança comercial entre China e EUA: o grande déficit norte-americano é uma das raízes da disputa.

3. Como começou a guerra comercial EUA-China?

A disputa ganhou forma em 2018, no primeiro governo de Donald Trump, quando os EUA impuseram tarifas a centenas de bilhões de dólares em produtos chineses, alegando práticas comerciais desleais e roubo de propriedade intelectual. A China respondeu na mesma moeda, taxando produtos americanos — entre eles, a soja, num golpe direto ao agronegócio dos EUA.

  • 2018–2019: rodadas sucessivas de tarifas e retaliações; a soja vira símbolo da disputa.
  • 2020: um acordo de "Fase 1" alivia parte das tensões, mas não resolve o fundo do problema.
  • 2021–2024 (governo Biden): as tarifas de Trump são mantidas e a disputa migra para o campo tecnológico, com restrições à venda de chips à China.
  • 2025: com o retorno de Trump, a guerra recomeça em grande escala, com tarifas que chegaram a superar 100% de parte a parte.
Início da guerra comercial entre EUA e China
Guerra comercial EUA-China: as tarifas impostas em 2018 marcaram uma nova fase da disputa econômica entre as duas potências. Fonte: elaboração própria com base em dados históricos.

4. Trump e as tarifas contra a China

A política tarifária de Trump teve fases distintas. Na primeira (2018–2019), o objetivo declarado era reduzir o déficit comercial e forçar a China a mudar suas práticas. Na segunda, a partir de 2025, as tarifas ganharam escala inédita e passaram a ser usadas também como instrumento de pressão geopolítica, não apenas comercial. Em 2025, os EUA chegaram a somar tarifas de dezenas de pontos percentuais sobre produtos chineses, combinando diferentes justificativas legais.

Vale registrar um dado importante para entender 2026: em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA limitou parte da base legal usada por Trump para impor tarifas, o que obrigou o governo a recalibrar sua estratégia e recorrer a outras ferramentas legais para manter a pressão sobre a China.

Dados factuais sobre tarifas: Tax Foundation e PIIE (2025–2026). Interpretações são do autor.

5. Biden e a continuidade da disputa

Um erro comum é achar que a rivalidade é obra de um único governo. Durante a gestão de Joe Biden (2021–2024), o tom mudou, mas o essencial permaneceu: as tarifas herdadas de Trump foram mantidas, e a disputa se deslocou para o terreno mais estratégico da tecnologia. Foi nesse período que os EUA reforçaram as restrições à exportação de semicondutores avançados e de equipamentos para fabricá-los, buscando frear o avanço chinês em inteligência artificial e defesa.

Isso mostra que a disputa é de Estado, e não apenas de partido ou de presidente: independentemente de quem governa, os EUA passaram a tratar a ascensão chinesa como um desafio de longo prazo.

6. O retorno de Trump e a nova fase da disputa

Com a volta de Trump em 2025, a guerra comercial entrou em uma fase mais agressiva. As tarifas foram elevadas a patamares recordes, e a China respondeu não só com tarifas, mas com uma arma poderosa: o controle sobre as terras raras e outros minerais críticos. Ao restringir a exportação desses insumos, Pequim mostrou que também pode pressionar as cadeias industriais e tecnológicas do Ocidente.

Depois de meses de escalada, os dois lados recuaram parcialmente. Em novembro de 2025, após um encontro entre Trump e Xi Jinping, foi anunciado um acordo que suspendeu temporariamente parte das tarifas mais altas e dos controles chineses sobre terras raras, além de retomar a compra de soja americana pela China. É uma trégua — não o fim do conflito.

Fonte da trégua de nov/2025: fact sheet da Casa Branca; CNBC; China Briefing.

7. Guerra comercial ou disputa pela liderança mundial?

Aqui está o coração da questão. Reduzir tudo a tarifas é enxergar só a ponta do iceberg. O que realmente está em jogo é a liderança mundial, e ela se decide na conexão entre vários tabuleiros ao mesmo tempo:

  • Comércio: quem controla os fluxos de mercadorias e os grandes mercados consumidores.
  • Indústria: a China é hoje a maior potência manufatureira do mundo; os EUA tentam reindustrializar setores estratégicos.
  • Tecnologia: chips, inteligência artificial e telecomunicações definem o futuro econômico e militar.
  • Recursos naturais: terras raras, energia e minerais críticos são a base física de toda essa tecnologia.
  • Cadeias globais de valor: a produção mundial está interligada; quem controla os "nós" dessas cadeias tem poder.
  • Poder militar e influência geopolítica: alianças, bases, rotas comerciais e capacidade de projeção de força.

Repare na lógica que conecta tudo: comércio → indústria → tecnologia → território → recursos naturais → cadeias globais de valor → poder econômico → poder geopolítico. É esse encadeamento que transforma uma disputa de tarifas numa disputa pela ordem mundial.

8. A disputa tecnológica entre EUA e China

Se existe um campo de batalha decisivo, é o dos semicondutores — os chips que estão em tudo: celulares, carros, eletrodomésticos, satélites, mísseis e servidores de inteligência artificial. Quem domina a produção dos chips mais avançados tem uma vantagem enorme, econômica e militar.

Os EUA lideram no projeto dos chips e nas máquinas que os fabricam, e por isso restringem a venda dessa tecnologia à China. A China, gigante na montagem de eletrônicos, investe bilhões para desenvolver seus próprios chips e não depender do Ocidente. A inteligência artificial intensifica essa corrida: treinar modelos de IA exige chips potentes, o que faz dos semicondutores um recurso estratégico de primeira ordem.

Guerra tecnológica entre China e EUA
A guerra tecnológica: chips, inteligência artificial e telecomunicações no centro da disputa.

9. A importância das terras raras

As terras raras são um grupo de dezessete elementos químicos essenciais para a tecnologia moderna: estão nos ímãs de motores elétricos, nas telas, nos aparelhos eletrônicos, nos equipamentos de defesa e nas turbinas eólicas. O nome engana — elas não são exatamente raras na crosta terrestre, mas seu processamento é caro, poluente e concentrado.

E é aí que está o poder da China: o país possui posição dominante na cadeia mundial das terras raras, especialmente no processamento e na fabricação de ímãs, etapas nas quais sua participação global é superior a 90%. Isso dá a Pequim uma alavanca geopolítica formidável. Em 2025, ao impor controles de exportação sobre terras raras e minerais críticos, a China mostrou que pode retaliar a guerra tarifária atingindo diretamente as indústrias de tecnologia e defesa do Ocidente — uma das razões pelas quais os EUA correm para diversificar suas fontes.

10. Taiwan e a rivalidade EUA-China

Nenhum ponto do mapa condensa tanto essa disputa quanto Taiwan. A ilha concentra a fabricação dos semicondutores mais avançados do planeta: a taiwanesa TSMC domina a fabricação por contrato de chips de ponta, tornando Taiwan um dos territórios mais estratégicos da economia tecnológica mundial.

A questão é delicada: a China considera Taiwan parte de seu território e defende a reunificação; os EUA mantêm laços estreitos com a ilha e são seus principais fornecedores de armas. Qualquer conflito ali teria efeitos globais imediatos, não só militares, mas econômicos — pois travaria a produção mundial de chips. Não se trata de torcer por um lado ou outro, mas de compreender por que Taiwan é, ao mesmo tempo, uma questão de tecnologia, território e poder.

11. Como a guerra comercial afeta a economia mundial?

Quando as duas maiores economias do mundo brigam, o planeta inteiro sente. As tarifas encarecem produtos e alimentam a inflação; a incerteza trava investimentos; e as cadeias produtivas — que dependem de peças fabricadas em vários países — são desorganizadas. Muitas multinacionais passam a mover fábricas para fora da China (para o Vietnã, o México ou a Índia), num processo de reorganização das cadeias globais.

Há também um efeito sobre os países emergentes: alguns perdem, ao ver o comércio global encolher; outros ganham, ao ocupar espaços deixados em aberto. É exatamente aí que entra o Brasil.

Gráfico 1 — Comércio EUA × China

Importações dos EUA vindas da China (índice, 2024 = 100)

2017 (pré-guerra)alta
2024100
jun/2025~50

Elaboração própria com base em PIIE (2026): importações dos EUA vindas da China caíram cerca de 50% até jun/2025.

Fluxo comercial entre EUA e China
Os fluxos comerciais entre EUA e China organizam boa parte do comércio mundial.

12. Como a guerra comercial EUA-China afeta o Brasil?

Para o Brasil, a disputa é uma faca de dois gumes — mas, até aqui, tem pesado mais para o lado positivo. Quando a China taxa a soja dos EUA, ela precisa comprar de outro lugar, e o Brasil é o maior fornecedor mundial do grão. O resultado aparece nos números: em 2024, cerca de 71% da soja importada pela China veio do Brasil, contra 21% dos EUA, e essa vantagem só cresceu em 2025 e 2026.

  • Agronegócio: a soja é a grande vencedora, seguida pela carne. O Brasil bateu recordes de exportação, com a China como principal destino.
  • Minério de ferro e petróleo: a China é enorme compradora dos dois, o que reforça o peso do país asiático na pauta exportadora brasileira.
  • Mercado consumidor chinês: os quase 1,4 bilhão de consumidores chineses são vitais para o Brasil — a China é, há anos, o maior parceiro comercial do país.
  • Investimentos chineses: a China investe em energia, portos, ferrovias e infraestrutura no Brasil, ampliando sua presença.
  • Riscos para a indústria: produtos chineses baratos podem sufocar setores da indústria brasileira, num problema conhecido como desindustrialização.
  • Dependência e diplomacia: ganhar tanto com a China aumenta a dependência desse mercado e exige equilíbrio na relação com os EUA, que também são parceiros importantes — e que, em 2025, chegaram a impor tarifas a produtos brasileiros.

Dados de comércio: OMC/TradeMap, Datagro, ANEC, Bloomberg, Exame (2024–2026). Projeções são de consultorias citadas nas fontes.

Gráfico 2 — Principais produtos exportados pelo Brasil para a China

Participação aproximada na pauta de exportações Brasil → China

Soja~49%
Minério de ferro~20%
Petróleo~16%
Carnes~6%
Celulose e outros~9%

Elaboração própria com base em ordem de grandeza do Comex Stat/MDIC (2025). Valores aproximados, para fins didáticos.

Gráfico 3 — Principais parceiros comerciais

Quem é o maior parceiro de cada país (comércio de bens)

EUA China Brasil
Maior parceiro dos EUAMéxico / China / Canadá
Maior parceiro da ChinaEUA / UE / ASEAN
Maior parceiro do BrasilChina (destino nº 1)

Elaboração própria com base em MDIC/Comex Stat e dados de comércio (2025). A China é, há anos, o maior parceiro comercial do Brasil.

13. Brasil entre Estados Unidos e China

O Brasil vive um dilema geopolítico clássico: como se relacionar com as duas maiores potências sem se tornar refém de nenhuma? A China é o maior parceiro comercial; os EUA, um parceiro histórico e a maior economia do mundo. A resposta da diplomacia brasileira tem sido buscar autonomia e não se alinhar automaticamente a nenhum dos lados.

É nesse contexto que ganham peso os BRICS — grupo que reúne importantes economias emergentes e países do Sul Global e constitui um dos espaços de articulação associados à busca por maior multipolaridade do sistema internacional —, além do G20 e da ideia de Sul Global. Para o Brasil, esses espaços representam a aposta numa ordem multipolar — com vários polos de poder — em que países emergentes tenham mais voz. A política externa brasileira, historicamente, valoriza o multilateralismo e a diversificação de parcerias justamente para não depender de um único centro.

EUA × China: quem depende de quem?

Uma das chaves para entender essa disputa é perceber que, apesar da rivalidade, as duas potências dependem uma da outra. Cada lado é forte em certos tabuleiros e vulnerável em outros. Veja o contraste:

🇺🇸 Estados Unidos🇨🇳 China
Liderança no design de chipsForte capacidade industrial
O dólar como moeda globalGrande mercado consumidor
Tecnologia de pontaProcessamento de terras raras
Universidades de excelênciaCadeias industriais integradas
Poder militarVolume de exportações
Rede de aliançasGrande capacidade manufatureira
Mercado financeiro profundoDomínio de minerais críticos

A verdadeira questão é a interdependência

Repare no que a tabela revela: os EUA lideram em finanças, tecnologia e alianças; a China, em indústria, manufatura e minerais estratégicos. Justamente por isso, uma ruptura total feriria os dois lados. Os EUA precisam dos produtos e dos insumos chineses (como as terras raras); a China precisa do mercado, do dólar e dos chips avançados que ainda não fabrica sozinha. Essa interdependência é o que segura o conflito: cada escalada tem um custo alto para quem a promove, o que ajuda a explicar por que, depois de cada rodada de tensão, os dois lados acabam negociando tréguas. Entender isso é entender por que a guerra comercial é, ao mesmo tempo, intensa e limitada.

14. EUA x China e a Nova Ordem Mundial

Desde o fim da Guerra Fria (1991), o mundo viveu um momento unipolar, com os Estados Unidos como potência dominante. A ascensão da China e a guerra comercial são sinais de que essa ordem está mudando: caminhamos para uma estrutura multipolar, em que o poder se distribui entre vários centros — Estados Unidos, China, União Europeia, e blocos como os BRICS.

Isso não significa que os EUA "perderam" ou que a China "venceu". Significa que a hegemonia norte-americana é hoje contestada, e que o sistema internacional está sendo reorganizado diante dos nossos olhos. A guerra comercial é, portanto, um dos motores dessa transição histórica.

15. Quem pode vencer a guerra comercial?

Não existe resposta simples — e desconfie de quem der uma. Cada lado tem forças e fraquezas:

  • Estados Unidos: lideram em tecnologia de ponta, finanças (o dólar é a moeda global), universidades e alianças militares. Mas dependem de produtos e de insumos chineses e enfrentam a própria desindustrialização.
  • China: é a maior potência industrial, tem enorme mercado interno, domina as terras raras e avança rápido em tecnologia. Mas depende de mercados externos, de chips avançados que ainda não fabrica sozinha e enfrenta desafios demográficos.

Comparando os tabuleiros — tecnologia, mercado consumidor, indústria, recursos naturais, energia, comércio, finanças, capacidade militar e alianças —, percebe-se que nenhum dos dois reúne todas as vantagens. Por isso, o cenário mais provável não é uma vitória total de um lado, e sim uma coexistência tensa e competitiva, com tréguas e reescaladas se alternando, como vimos entre 2025 e 2026.

16. Conclusão

A guerra comercial entre EUA e China é a ponta visível de uma disputa muito maior — pela liderança do século XXI. Ela mostra, como poucos temas, que economia e poder andam juntos: quem controla o comércio, a indústria, a tecnologia e os recursos estratégicos tem mais peso no mundo. Para o Brasil, é ao mesmo tempo uma oportunidade (mercados abertos para o agro) e um desafio (dependência e pressão diplomática). Compreender essa rivalidade é compreender a própria reorganização do mundo — e por isso ela é uma das questões geopolíticas centrais da nossa época.

📌 Resumo para estudar

TemaIdeia central
O que é uma guerra comercialDisputa em que países usam tarifas, barreiras e sanções para proteger suas economias e pressionar rivais.
Causas estruturais EUA × ChinaDéficit comercial dos EUA, ascensão industrial e tecnológica chinesa e disputa pela liderança mundial.
Guerra tecnológicaControle de semicondutores (chips), inteligência artificial e restrições de exportação de alta tecnologia.
Terras rarasA China domina a mineração e o processamento; são essenciais para eletrônicos, defesa e energia limpa.
TaiwanIlha que concentra a produção mundial de chips avançados; ponto sensível entre China e EUA.
Impacto no BrasilGanhos para o agro (soja, carne) e para o minério; riscos de concorrência industrial e de pressão diplomática.
Nova ordem mundialTransição de um mundo unipolar (EUA) para uma ordem multipolar, com China, BRICS e Sul Global.

🔑 Conceitos-chave

ProtecionismoProteger a indústria nacional com tarifas e barreiras às importações.
TarifaImposto sobre produtos importados, que os encarece no mercado interno.
Guerra comercialDisputa com tarifas e retaliações mútuas entre países.
Guerra tecnológicaDisputa pelo domínio de chips, IA e tecnologias estratégicas.
Cadeia global de valorProdução dividida entre vários países, cada um numa etapa.
MultipolaridadeOrdem mundial com vários polos de poder, e não apenas um.
BRICSGrupo de economias emergentes que busca uma ordem menos centrada nos EUA.
Terras rarasMinerais estratégicos essenciais para eletrônicos e defesa.
SemicondutoresOs chips presentes em quase toda a tecnologia moderna.

🧠 Questões de Geografia

Cinco questões inéditas no estilo ENEM/vestibular. Clique na alternativa para ver o gabarito comentado na própria questão.

1EUA × China

(Inédita) Desde 2018, e de forma ainda mais intensa a partir de 2025, Estados Unidos e China elevaram tarifas de importação sobre bilhões de dólares em produtos. Essas medidas caracterizam:

2EUA × China

(Inédita) A China concentra grande parte da mineração e, sobretudo, do processamento mundial de terras raras. Esse domínio é estrategicamente importante porque esses minerais são:

3EUA × China

(Inédita) Taiwan ocupa posição central na rivalidade entre EUA e China principalmente porque:

4EUA × China

(Inédita) Para o Brasil, um dos efeitos mais visíveis da guerra comercial entre EUA e China tem sido:

5EUA × China

(Inédita) A disputa entre EUA e China costuma ser associada à ideia de uma nova ordem mundial. Essa expressão indica:

❓ Perguntas frequentes (FAQ)

O que é a guerra comercial entre EUA e China?
É a disputa econômica em que Estados Unidos e China aplicam tarifas, barreiras e restrições um contra o outro para proteger suas economias e pressionar o rival. Começou em 2018 e voltou a se intensificar a partir de 2025.
Por que EUA e China entraram em guerra comercial?
As causas são estruturais: o grande déficit comercial dos EUA com a China, a rápida ascensão industrial e tecnológica chinesa e, no fundo, a disputa pela liderança econômica e geopolítica do século XXI.
Como começou a guerra comercial?
Em 2018, o governo Trump impôs tarifas a produtos chineses alegando práticas comerciais desleais; a China retaliou. Após uma trégua no governo Biden, a disputa se agravou em 2025, com tarifas que chegaram a superar 100% em alguns momentos.
O que são tarifas e por que elas importam?
Tarifas são impostos sobre produtos importados. Elas encarecem os bens do outro país, reduzem as importações e servem como arma de negociação — mas também aumentam preços para consumidores e empresas.
O que é a guerra tecnológica entre EUA e China?
É a disputa pelo domínio de tecnologias estratégicas, sobretudo semicondutores (chips) e inteligência artificial. Os EUA restringem a venda de chips avançados à China, que investe pesado para desenvolver os seus.
Por que as terras raras são tão importantes?
São minerais essenciais para eletrônicos, veículos elétricos, energia limpa e armamentos. A China domina seu processamento e, em 2025, usou controles de exportação como instrumento de pressão na disputa.
Qual a relação entre Taiwan e a rivalidade EUA-China?
Taiwan concentra a fabricação dos chips mais avançados do mundo. Como a China considera a ilha parte de seu território e os EUA a apoiam, ela virou um dos pontos mais sensíveis da rivalidade.
Quem ganha com a guerra comercial EUA-China?
Não há vencedor simples. Ambos sofrem perdas, e alguns países terceiros — como o Brasil e a Argentina no agronegócio — acabam se beneficiando ao ocupar mercados deixados em aberto.
Como a guerra comercial afeta a economia mundial?
Ela desorganiza cadeias produtivas, pressiona a inflação, encarece produtos, redireciona investimentos e leva empresas a buscar novos fornecedores fora da China, num processo de reorganização global.
Como a guerra comercial afeta o Brasil?
O Brasil ganha ao vender mais soja, carne e minério para a China, que substitui fornecedores dos EUA. Em contrapartida, cresce a dependência do mercado chinês, e a indústria enfrenta a concorrência de produtos chineses baratos.
O que os BRICS têm a ver com a disputa EUA-China?
Os BRICS reúnem importantes economias emergentes e países do Sul Global e constituem um dos espaços associados à busca por maior multipolaridade do sistema internacional. Por isso, o grupo é visto como parte do reequilíbrio de poder global.
O que é a nova ordem mundial multipolar?
É a ideia de que o mundo caminha de uma ordem unipolar (domínio dos EUA após a Guerra Fria) para uma ordem com vários polos de poder — Estados Unidos, China, União Europeia e blocos como os BRICS.

📚 Referências

  1. THE WHITE HOUSE. Fact Sheet: President Donald J. Trump Strikes Deal on Economic and Trade Relations with China, 1 nov. 2025. Disponível em: whitehouse.gov.
  2. BOWN, Chad P. The Trump-China trade wars: Five takeaways from US imports in 2025. Peterson Institute for International Economics (PIIE), 2026. Disponível em: piie.com.
  3. TAX FOUNDATION. Trump Tariffs: Tracking the Economic Impact of the Trump Trade War, 2026. Disponível em: taxfoundation.org.
  4. CHINA BRIEFING (Dezan Shira & Associates). China's Rare Earth Export Controls, 2025–2026. Disponível em: china-briefing.com.
  5. CNBC. China suspends some critical mineral export curbs to the U.S. as trade truce takes hold, nov. 2025. Disponível em: cnbc.com.
  6. EXAME. Acordo da soja de EUA e China afeta o Brasil? Só em 2026, dizem analistas, out. 2025. Disponível em: exame.com.
  7. BLOOMBERG. Brasil supera tarifas de Trump e registra recorde em 2025, jan. 2026. Disponível em: bloomberg.com.
  8. PARLAMENTO EUROPEU (EPRS). China's rare-earth export restrictions, nov. 2025. Disponível em: europarl.europa.eu.
  9. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC) — dados de comércio via TradeMap. Disponível em: trademap.org.
  10. MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS (MDIC) — Comex Stat, estatísticas de comércio exterior do Brasil, 2025. Disponível em: comexstat.mdic.gov.br.

Dados factuais provêm das fontes acima; interpretações e projeções são responsabilidade editorial e estão sinalizadas ao longo do texto. Página atualizada em agosto de 2026 — tarifas e acordos mudam com frequência.

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